Fernando Bizerra Jr./EFEO presidente Lula durante entrevista; país não vai reconhecer eleições em Honduras
27 de Maio de 2012
Presidente diz que América Latina não pode legitimar golpe que retirou Zelaya do poder
.Em entrevista, ele afirmou:
- Os países democráticos do mundo precisam repudiar de forma veemente o que ocorreu em Honduras, portanto, a posição do Brasil se mantém inalterada. Nós não aceitamos histórias de golpes.
Questionado se o Brasil estaria disposto a reconhecer sob alguma circunstância o resultado das eleições de 29 de novembro, Lula lembrou que o país e o resto da América Latina enfatizaram que, para "restabelecer a normalidade" nas relações com Honduras e a "confiança diplomática", é necessário que Zelaya seja restituído no cargo.
- Da forma como está acontecendo [o processo eleitoral], o Brasil não reconhecerá o resultado eleitoral, e manterá sua posição de não (retomar) relações com Honduras.
O líder acrescentou que defende com firmeza o retorno de Zelaya ao poder, do qual foi deposto no dia 28 de junho, não porque "seja mais radical, mais bonito ou mais feio que os outros", mas porque o Brasil viveu 21 anos sob uma ditadura (1964-1985) e sabe o que é um regime autoritário.
- A América Latina e América Central têm experiências de sobra de golpistas que usurpam o poder rompendo os princípios democráticos, e se aceitarmos isso pode acontecer o mesmo em outro país amanhã.Diante da possibilidade de que os Estados Unidos e outros países reconheçam o resultado das eleições hondurenhas, Lula advertiu:
- Se encararmos com normalidade o golpe de Honduras, amanhã qualquer golpista diz “vou dar um golpe” e todo o mundo vai acreditar (que é normal).
Zelaya, que foi expulso de Honduras pelos militares, voltou clandestinamente ao país no dia 21 de setembro e desde então está abrigado na embaixada do Brasil na capital Tegucigalpa.
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