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publicado em 17/06/2010 às 15h13:

Maiores vítimas de pirataria são os próprios somalis

Atividade alimenta instabilidade política na Somália

Do R7

A pirataria não é exclusividade da Somália, e sua forma moderna começou na China e no Sudeste Asiático, até mesmo com registros da prática no Brasil. No entanto, a grande atividade está concentrada hoje nas proximidades daquele país, no golfo de Áden, com 217 ataques em 2009, contra outros 189 no mundo todo.

Os dados são da publicação A Globalização do Crime: Uma Avaliação sobre a Ameaça do Crime Organizado Transnacional, lançado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em Nova York nesta quinta-feira (17).

As maiores vítimas destes ataques são, contudo, os próprios somalis, de acordo com o relatório.

A pirataria prejudica o fluxo dos navios de ajuda humanitária na região, e cerca de 43% da população da Somália depende desse tipo de iniciativa para comer, informa o relatório. Aproximadamente 95% da ajuda chega por mar.

Os piratas já se comprometeram a não atacar os navios de ajuda humanitária, mas o acordo vem sendo desrespeitado. Com isso, mesmo tal tipo de embarcação agora vai para a Somália com escolta, o que encarece a ajuda da ONU (Organização das Nações Unidas) para a região.

A atividade também ajuda a abastecer a insurgência no país. Após uma ditadura de 22 anos conduzida por Siad Barre e 18 anos de guerra civil, o governo central da Somália entrou em colapso em 1991 com o surgimento de três situações distintas no país. Tais áreas são a região semi autônoma de Puntland, o Estado de Somaliland, e o Estado da Somália, no centro-oeste do país.

Os piratas também parecem ter informações muitas vezes precisas sobre o trajeto e cargas dos navios. Além disso, têm ligações com grupos do exterior. Uma prova disso apontada pelo relatório é o fato de que muitos usam telefones por satélite para negociar seus resgates.

 

 

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