23 de Fevereiro de 2012
Ao menos 85 pessoas foram mortas a tiros e outras sete morreram em explosão
O massacre a tiros de 85 pessoas confessado pelo norueguês Andres Behring Breivik - que também é acusado de ser o responsável pelo carro-bomba que deixou outras sete vítimas em Oslo, capital da Noruega - deixou mais mortos do que a soma de três grandes chacinas: no Realengo (Rio de Janeiro), com 12 vítimas; em Columbine (EUA), com 13; e em Virginia Tech (EUA), com 32 mortos.
Relembre os piores atentados na Europa
Veja fotos do dia seguinte ao ataque
No total, 57 pessoas foram assassinadas nesses tiroteios, 28 a menos do que no massacre na ilha Utoeya que, até agora, soma 85 mortos. A chacina da Noruega ocorreu na última sexta-feira (22), em um acampamento de verão da juventude do Partido Trabalhista do país.
Os atentados noruegueses são a "maior tragédia da história recente do país", afirma Deisy Lima Ventura, professora de relações internacionais da USP (Universidade de São Paulo).
- Não há precedente para uma tragédia dessa magnitude na Noruega. Os países nórdicos não são imunes a atentados, como já houve em Estocolmo, na Suécia [um homem detonou explosivos em um ato terrorista frustrado, em dezembro de 2010], mas nada foi tão grande como agora.
Comparação com massacres
A especialista chama a atenção para diferenças entre os massacres realizados por indivíduos de forma isolada, em escolas ou locais públicos (como Realengo e Virgínia Tech), e a chacina ocorrida na Noruega.
- Há características próximas, como a de serem atentados motivados por pessoas que aparentemente não se encaixam na vida em sociedade. Mas o massacre norueguês tem um fator político que não existiu na chacina de Realengo, por exemplo.
O atentado teve a intenção de eliminar o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, afirma Deisy Ventura. Ela recorda que Stoltenberg era aguardado pelos jovens do Partido Trabalhista um dia após o atentado.
Além da chacina causada por Breivik - ele chegou disfarçado de policial ao acampamento da juventude e disparou contra as vítimas com um fuzil -, a explosão de um carro-bomba em Oslo, no mesmo dia, diante do edifício-sede do governo do país, deixou outras sete pessoas mortas.
- O primeiro-ministro estava no prédio no momento das explosões. Acredito que em breve saberemos se ele [Andres Breivik] agiu sozinho ou com ajuda de alguém, mas seja como for, há um fator político claro nos atentados.
Até agora, a polícia norueguesa conta 92 mortos. Ao menos quatro outras vítimas podem ser identificadas - o número de corpos deve aumentar nos próximos dias.
Avanço da extrema-direita
Em um país que é referência de democracia, com o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo (0,983 em uma escala que vai de 0 a 1) e com tradição de pacifismo, o massacre faz soar o sinal de alerta com relação às atividades da extrema-direita, afirma a especialista.
Os partidos e grupos de centro-direita na Europa estão sendo "contaminados" com posições extremistas nos últimos anos, ressalta Deisy, que fez doutorado em em direito internacional pela Panthéon-Sorbonne, em Paris.
- Existe uma irradiação destas ideias extremistas e xenófobas entre políticos e grupos que não são historicamente radicais.
Políticos franceses de direita recentemente desqualificaram a candidata à presidência pelo Partido Verde, Eva Joly, por ela ser uma estrangeira naturalizada no país. Ela não teria a "cultura tradicional da França" e por isso está sofrendo preconceito, aponta a professora da USP.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7