15.06.2010/APManifestantes colocam fogo em uma grande avenida de Teerã em junho do ano passado, após a contestada eleição que garantiu um novo mandato a Ahmadinejad
27 de Maio de 2012
Líderes cancelaram manifestações por receio da repressão do regime dos aiatolás
Um ano após a polêmica eleição que garantiu mais quatro anos de governo ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, poucas manifestações são esperadas nas ruas de Teerã neste sábado (12).
Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, candidatos derrotados no pleito de 2009 - marcado pelas acusações de fraude eleitoral - cancelaram os protestos e surpreenderam partidários, que durante toda a semana grafitaram muros e distribuíram panfletos.
Em comunicado publicado em sites da oposição e na rede social Facebook, Mousavi e Karroubi justificaram a decisão. "[Cancelamos os protestos] para salvaguardar as vidas e as propriedades da população", informou a nota.
A perspectiva de silêncio é um cenário bem diferente do ocorrido nos meses seguintes à reeleição de Ahmadinejad. Dezenas de manifestações do chamado Movimento Verde, liderado pela oposição, foram duramente reprimidas. Ativistas foram mortos, feridos ou presos pela polícia. O governo executou opositores acusados do fomentar os protestos.
Para Babak Rahimi, professor universitário iraniano que acompanhou as eleições de 2009 e está em Teerã, a população parece ter entrado em "estado de negação".
- A apatia parece ter tomado conta da capital, ninguém quer falar sobre o ano passado. É como se tentassem reprimir uma memória dolorosa.
Rahimi, que trabalha na Universidade da Califórnia, nos EUA, marcou uma entrevista por telefone com o R7, mas só pôde atender à reportagem por e-mail.
- Não é muito seguro conversar por telefone enquanto eu estiver no Irã. É uma questão de segurança.
Pressão internacional tem efeito dúbio
Para Flavio Azm Rassekh, representante dos Bahá'í (minoria religiosa perseguida no Irã) no Brasil, a oposição iraniana só terá a força necessária para contestar o regime dos aiatolás se houver mais pressão externa.
- A pressão internacional é tudo, e não pode vir só do Ocidente. O governo iraniano tem que saber que ele vai responder por cada prisioneiro executado, por cada mulher executada.
Surgida na Pérsia no século 18, a Fé Baha'í é independente do islamismo. Conta atualmente com 7 milhões de seguidores no mundo, sendo 57 mil no Brasil e 350 mil no Irã.
Rassekh afirma que a repressão dentro do Irã é tão intensa que fica difícil imaginar um cenário de mudança sem a participação internacional.
- Eu tenho esperanças de mudanças no Irã, mas não sei como isso poderia acontecer internamente. A repressão é tão intensa que fica difícil imaginar como algo assim poderia acontecer sem os protestos e as medidas internacionais.
Brasileiro vê nacionalismo no governo e na oposição
O professor Paulo Almeida Resende, coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da PUC-SP, tem outra opinião. Ele diz que a pressão internacional não é necessariamente positiva para a oposição iraniana.
- Tanto governo quanto oposição têm uma visão muito nacionalista e muito orgulhosa da cultura persa. Por isso, a pressão internacional pode ser vista como um tipo de 'pátria em perigo'. A oposição teme dar argumentos para esse tipo de crítica.
Para o iraniano Rahimi, a 'tática nacionalista' é aplicada propositalmente pelo governo. O professor, no entanto, não acredita que ela possa vingar no longo prazo.
- O regime começou a utilizar a retórica nacionalista como forma de ganhar apoio internamente, mas minha impressão é que cada vez mais pessoas questionam esse comportamento globalmente.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7