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publicado em 24/07/2010 às 06h00:

México vive as dores da guerra contra o tráfico

País pode virar um narcoestado e vive situação similar à da Colômbia nos anos 1980

Maurício Moraes, do R7


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No último dia 15 de julho um uma bomba explodiu num carro da polícia no centro de Ciudad Juarez, no México, na divisa com os Estados Unidos. Os 10 kg de explosivos, ativados por um celular, mataram quatro pessoas. O ataque foi o primeiro desse tipo na guerra entre cartéis de drogas rivais que espalha horror no norte do país e ameaça a estabilidade política mexicana.

As imagens do ferro retorcido que restou do veículo lembram guerras distantes, como as do Iraque e do Afeganistão, onde ataques desse tipo são cotidianos. No México, guardadas as devidas proporções, a insegurança também se tornou parte do cotidiano em vários Estados do país. Só neste ano, mais de 7.000 pessoas morreram vítimas da violência. Desde que o atual presidente, Felipe Calderón, assumiu o poder, em 2006, o número de vítimas é de 25 mil.

A situação também é parecida à vivida pela Colômbia nos anos de 1980 e 1990, quando ataques a forças policiais eram corriqueiras e quando a infiltração de agentes do tráfico nos organismos do Estado como a Justiça levou instabilidade política ao país.

Embora o campo de batalha esteja no lado mexicano, boa parte da guerra se trava em território dos EUA. Ali está o imenso mercado de drogas disputado por cartéis como os de Juarez e de Tijuana, e por grupos armados como Los Zetas e Los Negros. A situação foi exposta recentemente pela especialista Shannon O’Neil, do Council on Foreign Relations, numa comissão no Congresso dos EUA.

- Enquanto nos anos 1990 cerca de 50% do consumo de cocaína nos EUA vinha do México, hoje é de 90%. O México é também a maior fonte de heroína, anfetamina e maconha para o mercado americano.

Medo domina a região

Jacinto Segura, porta-voz da Secretaria de Segurança Pública de Ciudad Juarez, diz que a escalada de insegurança no local começou em meados de 2008, quando começaram os atentados contra policiais e jornalistas.

- Há muito medo da cidade. As pessoas não deixam de trabalhar, de estudar, mas começam a mudar de hábito. A população já não ocupa o espaço público como antes.

Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, o país já é o mais perigoso para o trabalho da imprensa. Um relatório publicado em fevereiro deste ano contava a morte de mais de 60 jornalistas nesta década. Para Segura, o país vive uma guerra.

- Estamos no meio de uma guerra entre cartéis em Ciudad Juarez. As forças do Estado acabam envolvidas, porque um ou outro grupo se sente desfavorecido pela polícia, por exemplo.

Segura, embora sendo um agente do Estado, não esconde que há corrupção na polícia.

- De fato isso ocorre. O crime organizado está infiltrado em corporações municipais e estaduais e casos de colaboração.

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