Jorge Nuñez/EFEMulher passa perto de corpos amontoados em rua de Porto Príncipe; Brasil anunciou contratação de locais para ajudar no manuseio dos corpos
8 de Fevereiro de 2012
Exército anuncia construção de cova especial para vítimas da religião vodu
O Ministério da Defesa divulgou nota neste domingo (17) relatando mudanças no trabalho das tropas brasileiras em relação ao manuseio de corpos de vítimas haitianas do terremoto que atingiu o país na última terça-feira (12). Os militares seguirão procedimentos elaborados pela assessoria da Embaixada do Brasil no Haiti para respeitar preceito religioso das famílias haitianas.
A preocupação do governo brasileiro se deve, principalmente, aos seguidores da religião vodu. A religião estabelece ritual específico de sepultamento que não estava sendo respeitado devido à situação de emergência do país. Em resposta às críticas de que a “pressa” das tropas brasileiras em retirar cadáveres das ruas poderia estar tirando das famílias o direito de realizar rituais de despedida, o Ministério da Defesa informou que engenheiros militares devem “contratar mão-de-obra local” para que os corpos não fossem tocados por estrangeiros “desconhecedores” dos costumes locais.
Segundo a assessoria do ministério, o ministro Nelson Jobim propôs que o departamento de engenharia do Exército construísse uma cova especial em cemitério para que famílias de vítimas praticantes do vodu pudessem levar os corpos de seus parentes e realizar ritual de sepultamento, que leva cerca de nove dias.
As tropas brasileiras só recolherão das ruas os corpos abandonados, de pessoas ainda não reconhecidas por familiares. O recolhimento acelerado de corpos e o enterro em covas coletivas geraram críticas de integrantes da comunidade internacional. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha apontou a necessidade de os militares e autoridades locais criarem métodos que proporcionassem o reconhecimento dos corpos, para que as vítimas tenham direito a um funeral oferecido por sobreviventes da família.
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