27 de Maio de 2012
Presidente tenta se manter no poder após onda de protestos violentos
Pressionado pela onda de protestos que deixou pelo menos 38 mortos, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, nomeou o chefe de inteligência Omar Suleiman como seu vice-presidente, cargo ocupado por Mubarak antes de assumir a Presidência há 30 anos e que estava vago desde então.
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A decisão indica, pela primeira vez, um possível plano de sucessão e também sugere que o filho de Mubarak, Gamal Mubarak, que era visto como um potencial líder, saiu de cena. Segundo o Twitter da rede Al Arabyia, Gamal deixou o partido do pai neste sábado, um sinal de que não vai se candidatar à sua sucessão.
Quem também deixou o Partido Nacional Democrata de Mubarak foi Ahmad Ezz, considerado um dos pilares do regime. Magnata do aço e um dos mais ricos empresários do país, Ezz é muito próximo a Gamal Mubarak.
Segundo o Twitter da rede britânica BBC, Gamal e um outro filho de Mubarak deixaram o Egito e chegaram a Londres neste sábado.
Nesta sexta-feira (28), Mubarak demitiu o primeiro-ministro Ahmad Fuad Mohieddin, numa tentativa de se manter no poder.
Neste sábado, além de um vice-presidente, ele indicou um novo chefe de governo, Ahmed Shafiq, antigo ministro da Aviação.
O anúncio ocorre após cinco dias de protestos que abalaram a imagem de um país acostumado a reprimir a oposição com suas grandes forças militares e de segurança.
Os protestos, convocados pela internet, foram inspirados na chamada Revolução de Jasmim, o movimento popular que derrubou o governo da Tunísia, na última semana.
Vice é aliado próximo de Mubarak
A mudança também indica que Mubarak, de 82 anos, poderá não se candidatar nas eleições presidenciais de setembro --autoridades haviam indicado que ele participaria da disputa.
Omar Suleiman, de 74 anos e confidente de Mubarak, tinha participação direta em questões chave, como o processo de paz entre israelenses e palestinos, assunto visto como vital na relação do Egito com os Estados Unidos.Não está claro se os manifestantes irão aceitar a mudança que mantém o controle nas mãos de instituições militares e de segurança.
Mortos podem passar de 70
A onda de protestos deixou pelo menos 38 mortos, segundo o governo. Mas o número pode ser bem maior. De acordo com fontes hospitalares, as vítimas passam de 70.
Segundo contagem da agência Reuters, com base em fontes hospitalares do Egito, 74 pessoas já morreram nos protestos, número bem superior ao divulgado pelo governo.
Segundo a rede de TV Al Jazeera, existem 23 corpos apenas no necrotério de Alexandria, a segunda cidade egípcia. Já o hospital de El Damardash, no Cairo, contabiliza 30 corpos.
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