27 de Maio de 2012
Peruano Vargas Llosa vê progressos na política da América Latina

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2010, apresentou um panorama otimista da América Latina, ao elogiar governos de esquerda da região, como o do Brasil, "que respeitam a democracia".
Ele afirmou também que a "corrente autoritária e antidemocrática" de países como Cuba e Venezuela está "de saída", na primeira entrevista concedida desde o anúncio do prêmio, nesta quinta-feira (7), em Nova York.
- Hoje temos muito menos ditaduras, temos governos de direita e de esquerda que são democráticos.
Vargas, que atualmente mora nos Estados Unidos, concedeu a entrevista coletiva em inglês e espanhol.
- Governos de esquerda, como o do Brasil e o do Chile [...], e como o governo uruguaio, são governos de esquerda que respeitam a democracia e que, inclusive no campo econômico, promovem políticas liberais. E acho que isso é um grande progresso. Temos, também, governos de direita democráticos no Chile, na Colômbia, no Peru.
Mas o escritor criticou Cuba e Venezuela.
- O que não é um progresso é que ainda tenhamos Cuba, tenhamos a Venezuela, e minha impressão é que esta corrente autoritária e antidemocrática está de saída. Cada vez há menos apoio, menos respaldo popular, como se viu nas eleições venezuelanas.
Em suas declarações à imprensa, o escritor peruano, de 74 anos, disse que se manterá fiel à defesa da liberdade e da democracia em suas obras futuras.
- Vou continuar escrevendo sobre as coisas que mais me estimulam. Vou continuar defendendo as ideias que tenho: a defesa da liberdade, da democracia, da opção liberal e as críticas a todas as formas de autoritarismo.
Escritor achou que telefonema fosse uma brincadeira
Vargas Llosa também fez uma defesa entusiasmada do papel que os livros cumprem e a necessidade de promover a leitura entre os jovens.
Para ele, a boa literatura é "um extraordinário prazer", mas também "cria cidadãos menos facilmente manipuláveis" pelo poder, disse.
Sobre o prêmio, Vargas Llosa disse que tentará "sobreviver ao Nobel", à fama que ele implica e à perda de serenidade em sua vida cotidiana.
Quando sua mulher, Patricia, se aproximou, na madrugada, com o telefone na mão, o escritor disse que não pensou no Prêmio Nobel, mas numa "má notícia" e depois, em "uma brincadeira".
- Eram cinco e meia da manhã, eu estava lendo porque eu acordo e trabalho desde muito cedo. Estava preparando a minha aula da próxima segunda-feira, porque estou como professor em Princeton por um semestre.
Copyright AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7