
Garotas participam de desfile na Praça da Paz Celestial em Pequim. Os 60 anos da Revolução Comunista estão sendo comemorados em grande estilo no país
27 de Maio de 2012
Sessenta anos depois da Revolução Comunista, a China é o país do futuro
Estamos em 1949. A China é um país estraçalhado por duas décadas de guerra civil, que terminou com a chegada dos comunistas ao poder. Sua população ainda sofre o trauma dos horrores da ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial. A economia está em frangalhos e há a ameaça de o país se dividir em dezenas de regiões dominadas por grupos étnicos diferentes.
Sessenta anos depois, a China continua de pé - e mais forte do que nunca. Já é a terceira maior economia do mundo e deve subir em 2010 para o segundo lugar ocupado atualmente pelo Japão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. As previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional) são de que o gigante asiático cresça 7,5% neste ano, quando boa parte do planeta ainda luta para se recuperar da crise econômica. Mas qual é o segredo da China?
Desde o discurso histórico de Mao Tsé-tung, em 1o de outubro de 1949, num palanque erguido na Cidade Proibida (a antiga sede do império chinês), a China mudou de cara e adotou um novo papel no palco mundial. De nação humilhada por séculos de ocupações estrangeiras, ela passou a ser exemplo de país do futuro. Um lugar onde o capitalismo, aos poucos, está vencendo o comunismo.Os trabalhadores de uniforme azul, que iam para o trabalho pedalando em carreatas organizadas, já fazem parte do passado. Hoje o número de carros já ultrapassou o de bicicletas nas ruas das grandes cidades. Sustentar amantes fora do casamento também voltou a ser sinal de status, comportamento que o velho líder comunista não iria tolerar. Ser burguês não é mais uma vergonha, como era na época de Mao, e todos os dias uma loja com produtos de grifes ocidentais abre em uma esquina de Pequim.
De comunistas a consumidores
- Não acredito que os chineses estejam mais ocidentalizados. A grande diferença é que eles passaram a ter uma capacidade consumidora e com isso estão mais perto dos avanços tecnológicos. Mas o povo chinês continua com sua cultura e seus valores, que não são ocidentais - disse Henrique Altemani, coordenador do Núcleo de Estudos Ásia-Pacífico da PUC-SP.
Para Adam Segal, especialista em China do instituto americano Council on Foreign Relations (CFR), esse apetite chinês pelo consumo afeta todo o mundo e mudou o jogo do comércio mundial
- A influência da China é enorme. Afinal estamos falando de muitos consumidores, de um mercado de 1,3 bilhão de pessoas cobiçado por empresas do mundo todo, inclusive do Brasil - disse ele.
Os números são prova disso. Dados da Associação de Fabricantes de Veículos da China mostram que só no primeiro semestre deste ano os chineses compraram mais de 6 milhões de carros. Quatro vezes mais que no Brasil, onde as fábricas venderam quase 1,4 milhão de carros no mesmo período. A China também já é o maior mercado de celulares do mundo, com 640 milhões de assinantes; tem 300 milhões de internautas e é o quarto maior consumidor de Coca-Cola (atrás apenas de EUA, México e Brasil).
Uma potência nuclear
O poderio chinês não se restringe à economia. O país, que tinha sido dilacerado pela guerra civil e humilhado pela ocupação japonesa, se tornou uma potência nuclear em 1964. Desde 1972, integra o Conselho de Segurança das Nações Unidas e tem batido de frente com os Estados Unidos em várias ocasiões, como quando se opôs à adoção de sanções severas contra a Coreia do Norte, depois que este país fez testes nucleares desafiando as potências mundiais.
Há dois anos, o governo chinês destruiu um satélite que estava em órbita com um míssil lançado do solo, despertando temores de que estaria se preparando para a "guerra nas estrelas" vislumbrada pelo presidente americano Ronald Reagan (1911-2004) na década de 1980.
- Foi uma demonstração importante de poder porque desde o governo Reagan os EUA vêm discutindo a ameaça de uma guerra nas estrelas - disse Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco.
Mas ele diz que nem Estados Unidos nem China querem alimentar uma rivalidade nos moldes da Guerra Fria, conflito não armado que durante décadas opôs os capitalistas dos EUA e os comunistas da União Soviética. Já para Adam Segal, do CFR, essa relação hostil podem nem chegar a acontecer.
- Nem os chineses sabem direito aonde estarão daqui a 50 anos. Mas de uma coisa eles têm certeza: serão um país estável e muito próspero. Eu acho que eles estão no caminho certo.
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