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publicado em 20/01/2010 às 06h00:

Obama completa um ano na Presidência
dos Estados Unidos sem comemorações

Presidente vê sua popularidade diminuir e enfrenta dificuldades externas e em casa

Claudia Pinho, do R7, com a EFE

Barack Obama completa nesta quarta-feira (20) um ano na Presidência dos Estados Unidos sem comemorações especiais e envolvido em questões políticas complicadas. Ele já se prepara para um 2010 que pode ser decisivo para o sucesso de seu mandato, principalmente agora que o republicano Scott Brown, que foi eleito no lugar do senador Ted Kennedy (1932-2009), quebrou a maioria absoluta do presidente na Casa.

Nesta quarta-feira (20), quando a histórica posse no Capitólio diante de 2 milhões de pessoas fará um ano, sua agenda prevê como único ato público a comemoração pelo chamado “National Mentoring Month”, um evento anual para recrutar mentores voluntários para ensinar os jovens americanos.

O presidente, porém, está hoje mais afastado do cenário festivo de há um ano, quando participou de um show em Washington em sua homenagem liderado por artistas como o grupo U2, assim como do dia da posse, em que participou de vários bailes.

obama reza cerimonia

Obama em cerimônia religiosa às vésperas de completar um ano no cargo (Foto: Yuri Gripas/Reuters)

O atual clima político não é de festas. O país continua em crise econômica, e a criação de emprego não decola. Os conflitos em Iraque e Afeganistão não terminaram. No caso deste último país, a violência se intensificou. A popularidade do presidente, que após sua posse superava 70%, ronda agora apenas 50%.

O que talvez explique essa queda é a grande expectativa causada por sua vitória. Mas para Sérgio Gil Marques, professor do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, a queda da popularidade é inevitável.

- Obama trouxe muita expectativa, vendendo-se como “outsider” [pessoa à margem] do sistema político, devido à sua ancestralidade e às suas posições políticas. Mas nenhum presidente, principalmente o dos EUA, pode tudo. Como havia muita expectativa de mudança, de novidade em relação ao Obama, evidentemente que paira certa frustração. Mas um ano é muito pouco pra se ter resultados tão concretos.

Resultado de eleição pode mudar relação com o Congresso

Nos últimos momentos de seu primeiro ano no cargo, Obama tem que lidar com eventos que ameaçam minar seus principais projetos políticos.

Entre outras coisas, estão as eleições locais de Massachusetts que podem obrigar Obama a mudar sua estratégia legislativa. A democrata Martha Coakley disputava com o republicano Scott Brown a cadeira no Senado deixada vaga pelo senador Ted Kennedy, que a ocupou durante quase meio século.

Massachusetts é um dos Estados mais democratas dos EUA, mas nos últimos dias e contra todas as previsões as pesquisas apontavam um empate técnico entre os dois candidatos. Os analistas atribuem isso ao descontentamento do público com a reforma no setor de saúde, grande projeto legislativo de Obama.

A vitória de Brown acabou com a maioria absoluta dos democratas no Senado, as 60 cadeiras com as quais podem evitar qualquer veto republicano na aprovação de uma lei, e colocaria em risco o andamento da reforma da Saúde, após um ano de intensas negociações.

Presidente assume o ônus do terremoto no Haiti

Criticado duramente pela oposição, que afirma que o governo de Obama não traz resultados, o fato é que o presidente optou por priorizar os problemas domésticos, como a crise financeira e a questão da saúde. Mas, ainda assim, abriu diálogos com países como o Irã, Venezuela, Cuba e até mesmo a Coréia do Norte, que recebeu a visita do ex-presidente Bill Clinton para falar sobre a questão nuclear.

De acordo com Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Unesp, houve um primeiro passo do diálogo.

- Ele foi eleito como a grande promessa, com posturas diferentes de Bush. Houve uma abertura com diálogos sobre temas polêmicos, ainda sem resultados concretos. E essa postura tem recebido críticas da oposição, classifica o governo de fraco, principalmente nas questões internacionais. Mas isso não procede. Obama assumiu e deu prioridade em resolver problemas internos.

Obama chega a um ano de governo preocupado também com as tarefas de ajuda no Haiti, após o terremoto da semana passada. O presidente americano prometeu que os haitianos não serão esquecidos e apoiou não só uma contribuição de urgência de cerca de R$ 177 milhões (US$ 100 milhões), mas também a contribuição militar às tarefas de emergência.

Obama procura demonstrar que em momentos de crise pode atuar com decisão e mostrar solidariedade com um país vizinho. O Haiti conta com uma comunidade de cerca de 2 milhões de pessoas em território americano.

 
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