02.12.2009/Ulises Rodríguez/EFESoldado caminha em frente a loja em Honduras. Pichação mostra divisão no país: em vermelho "Queremos Mel", em alusão a Manuel Zelaya; em azul, o complemento deixado por adversário do líder deposto, "mas na cadeia"
27 de Maio de 2012
Para especialistas, reunião de hoje não soluciona divisão na entidade, mas ajuda
Especialistas ouvidos pelo R7 dizem que o encontro dificilmente alcançará esse objetivo, mas pode representar um passo importante para encerrar a crise que se arrasta desde o golpe que derrubou Manuel Zelaya, em 28 de junho.
A reunião, a partir das 18h (horário de Brasília), terá na pauta a questão das eleições em Honduras e a recusa do Congresso do país em restituir o presidente deposto ao poder. Segundo os especialistas, as discussões diplomáticas devem girar em torno de uma tentativa de reconciliação nacional, possivelmente por meio de uma espécie de governo de unidade, do qual Zelaya, de alguma forma, faria parte.
A maioria dos países da comunidade internacional, incluindo o Brasil, não reconhece a legitimidade do processo eleitoral hondurenho. Entretanto, os Estados Unidos, país com o qual Honduras mantém as maiores relações comerciais e diplomáticas, é a favor de esquecer o golpe de Estado que depôs Zelaya e seguir em frente com o novo governo eleito, liderado por Porfirio Lobo Sosa, do Partido Nacional.
Para Enrique Amayo, professor de História Econômica e Estudos Internacionais Latino-Americanos da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), o grande fator de desequilíbrio nas discussões é o apoio americano ao presidente eleito, Porfirio Lobo:
- A situação atual aponta para uma conciliação de posições. Honduras quer reconhecimento internacional, mas o reconhecimento que realmente importa é o dos Estados Unidos, e isso eles já têm. Também querem reconhecimento do México, com quem mantêm laços culturais muito fortes. Qualquer outro tipo de reconhecimento é secundário.
Pedro Paulo Funari, professor do Departamento de História da Universidade de Campinas (Unicamp), também acredita que a aceitação americana ao processo eleitoral em Honduras é o mais importante para o país:
- O principal parceiro comercial de Honduras são os Estados Unidos. Para o novo presidente, a única opção é se apegar aos americanos, que têm todo o interesse em resolver a questão o mais rápido possível.
Funari afirma, no entanto, que a reunião desta sexta-feira também deixará clara a grande divergência que ainda existe entre os países membros da OEA:- Por enquanto, tudo indica que vai haver um impasse, sem uma saída que seja efetivamente reconhecida pelas duas partes.
Para o professor Enrique Amayo, o comparecimento em massa da população às urnas e os traumas causados pelas guerras civis que varreram a América Central na década de 1980 podem ser fatores determinantes na solução do conflito:
- A população de Honduras tem medo da instabilidade e da guerra. Além disso, eles querem um novo presidente, talvez não seja o presidente dos sonhos, mas é o que elimina os outros dois, um golpista e um que tentava dar um golpe constitucional. Isso vai trazer uma sensação de realismo e gerar o clima para negociações em um futuro próximo. Eu acredito que esse encontro da OEA pode dar início a isso.
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