27 de Maio de 2012
Ativista diz que TV do Irã noticiou soltura; não há confirmação oficial
A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento acusada de adultério, foi libertada nesta quinta-feira (9), segundo anunciou a ONG alemã que tem servido de porta-voz da mulher e de seu advogado. O filho e o advogado de Sakineh também foram libertados, de acordo com a mesma fonte.
Veja fotos de Sakineh supostamente livre
A líder do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, disse ao R7 que a notícia da libertação foi veiculada pela emissora iraniana Press TV. O site em inglês ainda não publicou esta informação.
A Embaixada do Irã do Brasil não confirmou nem negou a libertação de Sakineh.
À agência de notícias France Presse, Ahadi diz que o comitê ainda aguarda a confirmação sobre a soltura.
- Esperamos ainda a confirmação. Aparentemente, esta noite há um programa que deve ser exibido na televisão e aí saberemos 100%. Mas, sim, ouvimos que está livre [Sakineh] e também seu filho e seu advogado.
Imagens divulgadas pelo canal estatal Press TV mostram Sakineh em um encontro com o seu filho Sajjad. Segundo o jornal britânico The Guardian, eles estariam supostamente na casa do iraniano em Osku, no noroeste do Irã, alimentando ainda mais as esperanças de seus simpatizates de que ela foi solta.
Sakineh foi condenada à morte por dois tribunais diferentes em 2006 pelo envolvimento no assassinato do marido. Em 2007, sua pena pelo assassinato foi reduzida, em apelação, a 10 anos de prisão. No entanto, no mesmo ano outra corte de apelação confirmou uma nova sentença, desta vez de apedrejamento até a morte por adultério.
Essas condenações se baseiam no código penal muçulmano, a sharia. A lei religiosa é vigente no Irã, na Arábia Saudita e em partes do Sudão e outros países islâmicos.
Libertação de Sakineh gerou movimento internacional
A pena de apedrejamento de Sakineh gerou comoção internacional. A ONG Anistia Internacional organizou um abaixo-assinado pedindo a soltura da iraniana.
A primeira-dama da França, Carla Bruni, também tentou salvar a iraniana. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, próximo do líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, teve de se pronunciar após forte pressão. Ele ofereceu abrigo a Sakineh e a sua família, o que foi negado pelo governo de Teerã.
Sob pressão internacional, o Irã chegou a transmitir, por meio de sua TV estatal, uma suposta entrevista de Sakineh, na qual ela assumia a culpa pelos crimes dos quais era acusada.
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