23.06.2008/Agência BrasilImagem de arquivo mostra o embaixador Ibrahim Al Zeben com o presidente Lula; palestinos querem que Brasil pressione israel sobre assentamentos e cobram apoio à criação de um Estado independente
27 de Maio de 2012
Embaixador diz que país é amigo dos dois lados; presidente Abbas chega na quinta-feira
Em entrevista ao R7, o embaixador afirmou:
- [O Brasil pode] pressionar Israel para que respeite direito internacional. O problema central para nós é ocupação israelense do território palestino. E isso vai contra o direito internacional. Israel não cumpre até os dias de hoje nenhuma das resoluções das Nações Unidas. O Brasil pode convencer Israel de que é hora de respeitar direito internacional.
Segundo o embaixador, Abbas aposta que o bom relacionamento do Brasil tanto com os israelenses como com palestinos pode contribuir para um acordo e para uma aproximação entre as duas partes em conflito.
Palestinos cobram apoio do Brasil a Estado independente
A vinda de Abbas ocorre dias depois da visita do presidente de Israel, Shimon Peres, ao país. O líder palestino se encontra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima sexta-feira em Salvador. E, segundo o embaixador, deve cobrar do brasileiro apoio para a criação "em breve" de um Estado palestino, projeto que vem ganhando força entre membros da ANP depois do recente impasse nas negociações com os israelenses.
- O Brasil teve grande contribuição na hora de criar o Estado de Israel (em 1948). E pode fazer o mesmo com a criação do Estado palestino. Confiamos que o Brasil, sim, pode ser muito útil nesse sentido.
Questionado sobre se a ideia é proclamar um Estado palestino independente já em 2010, Al Zeben não quis confirmar um prazo, mas afirmou:- Esperamos que [a criação de um Estado palestino] seja para ontem. Faz tempo que aguardamos essa declaração e esperamos que a conjuntura internacional permita que isso seja em breve (...). Não dá para falar [em uma data] porque faz 62 anos que estamos aguardando, e isso pode acontecer a qualquer momento.
Para o embaixador, a visão de "dois Estados para dois povos" [israelenses e palestinos] é melhor solução para o conflito no Oriente Médio.
- E o Brasil compartilha de nossa visão.
Embaixador acha possível reconciliação com o Hamas
O embaixador disse também acreditar em uma reconciliação do Fatah, movimento a que o presidente Abbas é ligado, e o Hamas, grupo radical que governa a Faixa de Gaza. O Fatah, moderado, governa a Cisjordânia, onde estão os assentamentos judeus.
- Se nós estamos procurando uma reconciliação com Israel, que ocupa o território e que causou toda a nossa desgraça, como não vai ter reconciliação com uma parte que é palestina? Esperamos que [a reconciliação com o Hamas] seja muito em breve também.
Ele afirmou acreditar ser possível que o Hamas um dia reconheça o direito de Israel a existir. Essa postura do grupo é tida como um dos principais pontos do impasse entre israelenses e palestinos.
- Ninguém pode negar a existência do Estado de Israel. O que nós não aceitamos, seja o Hamas ou outros palestinos, e não aprovamos é a ocupação do território palestino. Nossa briga é contra a ocupação, as invasões, os massacres, os genocídios. Isso que Israel não pode admitir não pode reconhecer.
Além de Salvador, o presidente Abbas visita Porto Alegre, que concentra a maior comunidade de palestinos no Brasil, estimada em 50 mil no país. Outros 5.000 palestinos brasileiros vivem no Oriente Médio, segundo o embaixador.
Do Brasil, o presidente Abbas segue para a Argentina e o Chile, onde se encontra com as presidentes Cristina Kirchner e Michelle Bachelet, respectivamente.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7