27 de Maio de 2012
Oposição se junta a hackers e se posiciona contra acordo internacional polêmico
Membros do Parlamento da Polônia surpreenderam nesta sexta-feira (27) ao vestir a máscara do personagem do filme V de Vingança para protestar contra a aprovação de uma lei polêmica que visa proteger os direitos autorais no país. Na véspera, milhares de poloneses saíram às ruas para protestar contra a aprovação da lei que, segundo eles, abre o caminho para a censura na internet.
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A máscara do protagonista Guy Fawkes é associada ao movimento Anonymous, grupo de hackers a ativistas que costuma realizar ataques virtuais a sites de governos e empresas para protestar contra supostas violações à liberdade de expressão.
Políticos do partido de esquerda Palikot vestiram a máscara durante a sessão desta sexta-feira no Parlamento, enquanto o maior partido de oposição exigiu que o governo realizasse um referendo sobre o acordo internacional assinado pela Polônia.
Na quinta-feira (26), o governo polonês assinou o Acta (Acordo de Cooperação Anti-Falsificação, na sigla em inglês), um acordo internacional para proteger os direitos de copyright para músicas, filmes, produtos farmacêuticos e etc. O acordo foi assinado por diversos países industrializados, como Estados Unidos, Reino Unido, Itália, França, Coreia do Sul, Finlândia e outros, mas causou indignação na Polônia.
Revoltados, milhares de poloneses foram às ruas de cidades como Poznan e Lublin para protestar contra o acordo nesta quinta-feira (26), segundo a agência de notícias Associated Press, enquanto diversos sites do governo foram tirados do ar em ataques virtuais reivindicados pelo grupo Anonymous.
A oposição diz que o acordo contém muitas similaridades com o Sopa (Pare Com A Pirataria Online, na sigla em inglês), outro projeto de lei polêmico que, se aprovado nos Estados Unidos, permitiria que páginas da internet que violassem algum direito autoral fossem retiradas do ar sem necessidade de uma ordem judicial.
Segundo ativistas, se a lei for aprovada, a liberdade de expressão ficaria ameaçada na internet. Recentemente, sites como o Google e a Wikipedia realizaram um protesto contra a lei, retirando seus sites do ar para demonstrar o que poderia acontecer com eles caso o projeto de lei entre em vigor.
Já o ministro de Relações Exteriores do país, Radek Sikorski, foi à TV para defender as posições do governo na quarta-feira (25). Segundo ele, o projeto não é “tão ameaçador quanto os jovens pensam”, e a internet não pode virar um terreno de “anarquia legal”.
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