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publicado em 04/04/2010 às 06h00:

Pedofilia faz católicos questionarem
se não é hora dos padres se casarem

Teólogo suíço diz que o celibato é uma das razões dos abusos; sociólogo católico discorda

Maurício Moraes, do R7

 A onda de escândalos sexuais que abala a Igreja Católica fez reabrir a discussão em torno do celibato, a regra quase milenar que proíbe os padres de se casarem. Para o polêmico teólogo suíço Hans Küng, esta é das razões pelas quais centenas de padres abusaram sexualmente de crianças. Já o sociólogo católico Francisco Borba Neto, da PUC-SP, discorda e diz que os casos de pedofilia não ocorrem em maior frequencia na igreja do que em outros ambientes, como nas escolas.

Küng fez barulho há duas semanas ao publicar o artigo "Acabem com o celibato!" no jornal alemão Sueddeutsche Zeitung. O teólogo disse ao R7, em entrevista por e-mail,  que "não quer dissipar suas energias" neste momento, após as críticas que recebeu, mas prometeu voltar ao assunto no aniversário de cinco anos da ordenação de Bento 16, em 19 de abril. Ele e o papa já foram colegas, quando trabalharam como professores de teologia na Universidade de Tübingen, nos anos 60. Em 1979, as posições libertárias de Küng levaram o Vaticano a impedir que ele continuasse ensinando teologia católica.

Arcebispo austríaco também levantou a discussão

Mas Küng não é o único a contestar o celibato católico. Na esteira dos abusos sexuais que vieram à tona nas igrejas da Irlanda, da Alemanha e dos EUA, o arcebispo de Viena (Áustria) também ligou o problema à questão do (não) casamento dos padres. No último dia 11 de março, o cardeal Christoph Schönborn disse que entre as causas da pedofilia na Igreja Católica está "a educação dos sacerdotes, assim como as consequências da revolução sexual da geração de 1968 e o celibato como desenvolvimento pessoal". O religioso pediu uma "mudança de visão" sobre o celibato.

Para o sociólogo católico Francisco Borba Neto, coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, autorizar o casamento de padres não vai diminuir o problema da pedofilia na igreja:

- A pedofilia não é um problema maior dentro da igreja do que no do universo das pessoas que trabalham com crianças e adolescentes. Mesmo nas escolas, casos desse tipo são frequentes.

Mas não é o que pensa o teólogo Küng:

"Não se pode negar que casos de abuso [contra menores] são encontrados nas famílias, escolas, associações e [outras] igrejas. Mas porque é tão prevalente precisamente na Igreja Católica, sob liderança de religiosos celibatários? Naturalmente, o celibato não é a única causa deste desvio de conduta. Mas é a mais importante e a mais decisiva expressão de uma antiquada atitude da Igreja [Católica] em relação à sexualidade em geral, postura que também aparece na questão do controle da natalidade [já que o Vaticano proíbe o uso de camisinha, por exemplo].

Até o século 11, o casamento era comum entre os padres católicos, a não ser em algumas ordens religiosas específicas, que pediam a dedicação exclusiva de seus membros à igreja. A norma como se conhece hoje foi confirmada pelo papa Gregório 7°, em 1071 d.C..

Segundo Küng, a regra do celibato estabeleceu um grupo "à parte do resto dos cristãos, uma classe única, socialmente dominante, radicalmente superior aos fiéis, mas completamente subordinada ao papa".

Escândalos fazem parte da história da igreja

Os escândalos de acobertamento de pedofilia, que segundo a imprensa americana envolvem diretamente o papa Bento 16, já são vistos como a pior crise vivida pela igreja desde as suspeitas de que o papa Pio 12 fechou os olhos ao nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Borba Neto minimiza o impacto do caso, dizendo que "não faltam escândalos na história da igreja" e que "os escândalos serão digeridos com o tempo, e a igreja [Católica] vai seguindo".

Para o sociólogo, "o problema foi que inicialmente a igreja não soube se colocar de forma adequada diante do problema, antes de 2004 a 2005. Falou clareza para enfrentar o problema e isso tem melhorado nos últimos anos. O divisor de águas é a carta do papa Bento 16 aos católicos irlandeses".

Segundo Borba Neto, a carta estabelece parâmetros sobre como os bispos devem atuar diante de casos de abusos sexuais contra crianças. Ele diz que a partir de agora, tais casos serão investigados dentro da igreja mas os responsáveis também podem responder na Justiça comum.

- A única coisa que a igreja pode fazer é que se cumpra a lei dos homens. A César o que é de Cesar, a Deus o que é de Deus. A alma dos pedófilos será entregue a ele [Deus].

Bento 16 sabia dos abusos?

Para muitas vítimas de abusos cometidos por padre, o papa Bento 16 sabia dos casos e não fez nada, o que o Vaticano nega.

Para a diretora da organização americana Snap, Barbara Dorris, o caso das 200 crianças surdas abusadas por um padre nos EUA foi documentado e enviado ao então futuro papa, o cardeal Ratzinger, na época prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

O pedido de desculpas do papa, endereçado apenas as católicos da Irlanda num momento em que há casos por toda a parte, não é suficiente, segundo Barbara, que foi abusada por um padre em Saint Louis, no Estado do Missouri, quando tinha sete anos:

- Não vemos nenhuma mudança [na postura da Igreja Católica]. Eles dizem que estão arrependidos, mas não há indicação de nenhuma ação.

Küng também diz que Bento 16 sabia dos abusos:

 - Em 18 de maio de 2001, o cardeal Ratzinger [hoje papa Bento 16] enviou a todos os bispos uma carta  (De Delictis Gravioribus),  sobre sérios crimes, nos quais os casos de abuso foram colocados sob 'segredo papal' (“secretum Pontificium”).

Veja Relacionados:  pedofilia, abusos sexuais, igreja católica, vaticano, papa bento 16, hans kung, francisco borba neto, maurício moraes
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