ReutersO empresário bilionário Sebastián Piñera assume a Presidência do Chile nesta quinta-feira (11), com o desafio de reconstruir país devastado por terremoto
8 de Fevereiro de 2012
Empresário bilionário receberá cargo de Michelle Bachelet nesta quinta-feira (11)

Piñera receberá o comando do país da presidente Michelle Bachelet em solenidade marcada para as 12h (horário local e de Brasília), na sede do Congresso, em Valparaíso, 120 km a oeste de Santiago.
Em sua primeira atividade como presidente em exercício, Piñera viajará à cidade litorânea de Constitución, a mais afetada pela tragédia.
O governo Piñera será o primeiro de direita desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), depois dos 20 anos em que governou sem interrupção a Concertação, uma coalizão de quatro partidos de centro-esquerda.
Um dos grandes desafios para o novo mandatário será substituir Bachelet, que deixa o poder com popularidade de 84%, graças aos grandes projetos sociais instaurados no país e a um carisma capaz de fazer com que seus erros sejam perdoados, entre eles a reação tardia ao terremoto.
O novo presidente prometeu dar continuidade a esses programas, com um gabinete em que predominam empresários. Qualquer polêmica sobre este fato, no entanto, passa para um segundo plano ante o formidável trabalho de reconstrução que recairá sobre o novo presidente.
De fato, Bachelet disse há alguns dias que a reconstrução deverá durar todos os quatro anos do mandato de Piñera.
Além do lado humanitário, com centenas de pessoas mortas ou desaparecidas, o maior impacto econômico do terremoto incidirá sobre os primeiros meses do mandato, segundo os especialistas.
O ano de 2010 era visto como de recuperação econômica depois da crise financeira internacional, que golpeou com força o Chile em 2009 (-1,7% de variação do PIB), com uma previsão desenvolvimento entre 4,5 e 5,5%.
Agora, os analistas consideram que o sismo poderia custar ao país 3 pontos de seu crescimento no primeiro semestre e um ponto durante todo o ano, assinalando que a reconstrução também poderá converter-se em motor para a economia, devido à quantidade de empresas e de postos de trabalho envolvidos, num país onde a taxa de desemprego está em torno de 9%.
Nos primeiros cálculos, já se fala em R$ 2,1 bilhões (US$ 1,2 bilhão) de dólares para a reparação de pontes, assim como em R$ 6,3 bilhões (US$ 3,6 bilhões) para a reconstrução de hospitais destruídos.O Chile está, no entanto, bem preparado para a contingência, com R$ 26,5 bilhões (US$ 15 bilhões) de recursos remanescentes das exportações de cobre.
Sobre o trabalho à frente, Piñera declarou:
- Não seremos o governo do terremoto, mas o governo da reconstrução.
O novo governante confirmou que pedirá ao Congresso modificações no orçamento para ajustar-se "à realidade e às necessidades" da catástrofe.
Para o sociólogo Eugenio Tironi, a reconstrução, de um ponto de vista estritamente político, poderá favorecer Piñera.
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