27 de Maio de 2012
Governo francês rebateu com irritação comentários de comissária europeia
A polêmica em relação à deportação de ciganos da França para países como Romênia e Bulgária ganhou partidários contra e a favor nesta quarta-feira (15) com os ânimos sobre o tema em ascensão. Após a condenação de Viviane Reading, comissária de Justiça da União Europeia (EU), à ação do governo francês nesta terça-feira (14), pedindo até mesmo medidas legais contra o país, a administração de Paris retrucou o ato como uma “grosseria”.
Em seguida, vários saíram para dar apoio a Viviane, como a Alemanha, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
Por outro lado, o assunto causou irritação na cúpula do governo francês e um senador do partido do presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o governante mandou Viviane receber os ciganos em seu país. A comissária é natural de Luxemburgo, um dos menores países da Europa. O senador da União por um Movimento Popular (UMP), Bruno Sido, relatou o fato após um almoço com Sarkozy nesta quarta-feira.
- Ele disse que não se fez mais que aplicar os regulamentos europeus, as leis francesas e que não há absolutamente nada para reprovar a França na questão, mas que se os luxemburgueses quiserem recebê-los (os ciganos), não tem problema.
A comissária Viviane criticou duramente a política de expulsão de ciganos aplicada pela França, e fez um paralelo com as deportações realizadas por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
As deportações, classificadas como voluntárias por Paris, incluíam uma compensação financeira de até R$ 669, 6 (300 euros). No entanto, elas ocorreram logo após a destruição de acampamentos ciganos, o que a Romênia alega que foi uma forma de forçar a saída das pessoas do território francês.
Documento colocou governo em uma situação delicada
O governo francês ainda se viu em uma situação mais complicada com a publicação de uma circular na qual a ordem era desmantelar acampamentos irregulares no país, que cita especificamente as aglomerações de ciganos.
A circular divulgada pelo Ministério do Interior, que tem como ministro Brice Hortefeux, foi divulgada em 5 de agosto. O ato foi extremamente criticado pela imprensa francesa por focar um grupo particular.
O ministro da Imigração da França, Eric Besson, foi a um programa de TV e afirmou que não estava a par da circular. O ato soou como uma tentativa de explicar porque ele, na última quinta-feira (9), negou a existência de um "plano específico contra os ciganos" e insistiu que as expulsões estão dirigidas contra os "estrangeiros em situação irregular".
O historiador Jean-Noel Jeanneney, que conversou com o R7 nesta terça-feira (14) em São Paulo, onde veio para uma palestra em um ciclo de debates na Aliança Francesa, disse que “talvez a Europa tenha a razão” na polêmica sobre os ciganos.
- Eu fico triste, muito triste com isso no meu país.
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