Irek Dorozanski/ReutersTuristas caminham sob letreiro que havia sido roubado do antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia
27 de Maio de 2012
Letreiro nazista com a inscrição "Só o trabalho liberta" estava partido em pedaços

O porta-voz da polícia da região da Cracóvia, Dariusz Nowak, disse à France Presse:
- Detivemos no norte da Polônia cinco homens de idades entre 20 e 39 anos. A inscrição foi encontrada, cortada em pedaços.
A placa com a frase em alemão "Arbeit macht frei" (O trabalho nos faz livres) simboliza, para a maioria, o cinismo sem limites da Alemanha nazista.
O roubo do item foi considerado uma verdadeira profanação. Sylvan Shalom, ministro israelense do Desenvolvimento Regional, afirmou.
- Foi um ato abominável que remete à profanação e que constitui um novo testemunho do ódio e da violência contra os judeus.
O presidente do Memorial do Holocausto em Jerusalém, Avner Shalev, também manifestou sua indignação.- Este ato constitui uma verdadeira declaração de guerra, cometido por indivíduos cuja identidade desconhecemos, embora eu suponha que tenham sido neonazistas movidos pelo ódio contra os estrangeiros.
Pawel Sawicki, porta-voz do museu de Auschwitz, disse:
- Ter colocado essa inscrição na entrada do campo de extermínio, onde a esperança de sobrevivência estava reduzida a nada, mostrava o cinismo atroz dos nazistas.
Escritor popularizou slogan
O slogan ficou famoso por causa do pastor alemão Lorenz Diefenbach, morto em 1886, que escreveu o livro Arbeit Macht Frei no século 19. E foi retomado pelos nazistas em 1930.
No início, os nazistas o utilizavam com fins de propaganda na luta contra o elevado desemprego na Alemanha, mas, anos mais tarde, se converteu num slogan dos campos de trabalho e extermínio alemães.
A ideia de utilizá-la nos campos é atribuída ao SS Theodor Eicke, um dos chefes da concepção e organização das redes de campos nazistas.
A inscrição “Arbeit macht frei" figurava na entrada dos campos de Dachau, Gross-Rosen, Sachsenhausen, Theresienstadt, Flossenburg e Auschwitz, o maior de todos os campos de extermínio.
Fabricada em julho de 1940 por um prisioneiro polonês, o ferreiro Jan Liwacz, a inscrição de Auschwitz é de aço, mede cinco metros e tem uma particularidade: a letra “B” da palavra Arbeit está invertida.
Segundo uma interpretação perpetuada pelos sobreviventes, o “B” invertido simbolizava insubmissão e a resistência à opressão nazista, explicou Sawicki.
Quando, em 27 de janeiro de 1945, o exército soviético libertou Auschwitz, a inscrição foi desmontada e seria levada para o leste de trem.
Mas Eugeniusz Nosal, um prisioneiro polonês recém-libertado, subornou um guarda soviético com uma garrafa de vodca para recuperá-la.
Escondida durante dois anos na prefeitura de Oswiecim (nome polonês do campo de Auschwitz), a inscrição voltou a seu lugar original em 1947, quando o campo de extermínio virou museu e memorial.
Entre 1940 e 1945, o regime nazista alemão exterminou 1,1 milhão de pessoas em Auschwitz.
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