Amir Cohen/ReutersSoldados israelenses socorrem palestina ferida no norte da Faixa de Gaza, em imagem de 4 de outubro deste ano;política de Israel está levando cada vez mais jovens a se rebelar contra o serviço militar obrigatório
27 de Maio de 2012
Grupo conhecido como "shministim" critica opressão contra os palestinos, sofre ameaças de prisão e tem problemas até para tirar carteira de motorista
."Não interessa para eles nos manter na prisão"
Para esses dois jovens, começou nesta quinta-feira um processo de meses nos quais entrarão e sairão da prisão até que um tribunal os libere da obrigação de servir, normalmente por "problemas de saúde mental".
Rebeldes têm problemas para tirar carteira de motorista
Depois do período na prisão, os "shministim" costumam ter problemas para tirar carteira de motorista, não podem trabalhar em atividades relacionadas à segurança e nem em escritórios governamentais, mas, principalmente, sofrem com a discriminação social.
Vardi explica:
- No papel, as consequências não são tão ruins, mas o pior é a sociedade, que está absolutamente militarizada. Perguntam pelo serviço militar nas entrevistas de trabalho e todos te julgam se você não o fez.
Dos 250 estudantes que terminaram o Ensino Médio em seu colégio, só dois não foram para o Exército.
Os "shministim" normalmente não têm apoio entre pessoas próximas. Eles acabam se conhecendo e se juntando por meio da internet, assim como por sua participação em foros pacifistas e ONGs. Vardi relata que em Israel "há armas por toda parte, os soldados dão palestras nos colégios e inclusive há um projeto para ter um militar fixo em cada escola". E diz:
- O que fazemos vai contra tudo o que nos ensinaram e tudo o que há ao nosso redor.
Condenado diz que faria tudo de novo
Segundo a jovem, o sistema educacional de Israel "está muito militarizado e um de seus objetivos é gerar o maior número possível de soldados". De acordo com Vardi, recentemente, uma instituição de ensino excluiu os "shministim" da cerimônia de formatura.
Embora os atuais opositores sofram com alguns meses de prisão, eles correm o risco de que se repita o que ocorreu em 2002, quando um grupo de cinco "shministim" foi condenado por um tribunal militar a quase dois anos de prisão.
Um deles, Matam Caminer, afirmou à Efe que faria tudo de novo.
- Não me arrependo do que fiz. Foi a decisão correta. Nosso caso provocou um impacto e um debate sobre a ocupação que ainda continua aberto.
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