07.04.2008/APA presidente Cristina Kirchner em visita de Estado à França; a líder da Argentina troca de roupa até três vezes em um só dia quando participa de cúpulas internacionais
12 de Fevereiro de 2012
Estilo imprime fama internacional a Cristina Kirchner, mas também atrai críticas
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chega para uma visita oficial ao Brasil na noite desta terça-feira (17) em Brasília. Fora a pauta econômica e política que ela deve debater com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (18) fica a pergunta que sempre ronda as aparições de Cristina: o que ela vai usar?
Durante sua campanha à Presidência em 2007, uma das principais promessas de Cristina Kirchner era fazer a Argentina voltar a ter destaque no mundo. O país tinha ficado isolado pela crise de 2001 e pelo calote dado por seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.
No entanto, nestes dois anos de governo quem ganhou destaque foi a própria Cristina e em grande parte graças a seu guarda-roupa, repleto de vestidos brilhantes, coloridos, com babados, que ficam a distância dos terninhos convencionais e em tons pasteis de outras mulheres poderosas na política, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ou a presidente do Chile, Michelle Bachelet.
Em sua última viagem, ao Chile, Cristina usou três vestimentas diferentes ao longo de um só dia, um para cada compromisso. A presidente tem horror a repetir roupas e detesta ser fotografada sem maquiagem.
Tanta preocupação com a aparência e a roupa fizeram Cristina ser a estrela do blog argentino Te lo juro por Louis Vuitton, da jornalista Miranda Dress. Num dos posts ela comenta:
- Cristina não perde o costume de fazer várias trocas de roupas por dia [em eventos internacionais] como se fosse uma estrela do cinema. Outras mulheres nas altas esferas como Michelle Bachelet, Angela Merkel ou Hillary Clinton passam o dia com o mesmo vestuário, ainda que se troquem, é claro, para as recepções noturnas.
Pintada como uma porta
A vaidade de Cristina virou folclore e até piada na Argentina. E a fama da presidente ultrapassou fronteiras: em março deste ano o jornal britânico The Guardian a colocou na lista do “Bling Bling”, com os dez mais chefes de Estado mais na moda e bem produzidos do mundo.
Ao falar sobre Cristina, o jornal publicou que apesar de ser “conhecida como a ‘rainha do botox’, ela nega ter feito cirurgias plásticas, mas admite pintar-se como se fosse uma porta”.
Para o editor de moda Jorge Wakabara, do portal de Lilian Pacce, mulheres na política acabam sofrendo muita pressão pela forma como se vestem:
- As pessoas pegam muito no pé. Só porque é presidente não pode usar salto alto? Tem de ficar toda masculinizada como a Angela Merkel? Tem gente que gosta de gastar seu tempo fazendo palavra-cruzada, já outros preferem ir para o cabeleireiro.
Wakabara diz que a forma de se vestir “definitivamente tem implicações políticas. As pessoas acham que estar bem arrumada passa uma impressão de futilidade”.
Cargos formais pedem estilos formais
São poucos os presidentes (homens e mulheres) que conseguem imprimir um estilo pessoal na forma de se vestir num universo extremamente formal como a política.
Aos homens, com seus ternos básicos, não resta muito senão ousar nas gravatas. Já para as mulheres a tarefa é mais difícil, afirma Milene Chaves, a editora de moda do portal Chic:
- A Cristina é bastante colorida e geralmente presidentes e primeiras-damas são muito caretas. Pelo cargo que ocupam, eles precisam estar um tom acima no que diz respeito à formalidade.
Milene lembra que primeiras-damas podem ousar um pouco mais. Mas no caso da presidente, “qualquer escorregão vira notícia”.
Em um encontro internacional, brilho demais pode ofuscar o assunto discutido e até causar embaraço à outra autoridade, menos vaidosa.
No caso das mulheres, talvez por uma herança machista, a forma de se vestir é lembrada rapidamente quando se trata de fazer críticas políticas. Os inimigos de Cristina adoram mostrá-la como uma mulher fútil que só pensa na aparência e nos seus vestidos. Do outro lado da fronteira, na República Argentina, a presidente é chamada por muitos de “Rainha Cristina”, só que sem nenhuma reverência.
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