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publicado em 09/11/2009 às 06h31:

Queda do Muro de Berlim, símbolo de um mundo dividido, completa 20 anos

Barreira de concreto dividiu a capital alemã por quase três décadas durante a Guerra Fria entre capitalistas e comunistas e tinha 155 km de extensão

Do R7, com agências internacionais

O mundo celebra nesta segunda-feira (9) os 20 anos da queda do Muro de Berlim, uma barreira de concreto com um pouco mais de 155 km de extensão que separou a cidade por quase três décadas e virou o símbolo da Guerra Fria que dividiu o mundo entre comunistas e capitalistas na segunda metade do século passado.

Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, Berlim foi dividida ao meio por ordem das autoridades da República Democrática da Alemanha (RDA, Alemanha Oriental), que mandaram instalar uma cerca com arames para partir fisicamente a cidade.

De 9 para 10 de novembro de 1989, os habitantes da Berlim Ocidental e os da Berlim Oriental foram surpreendidos pela queda do muro, depois de meses de protestos e da reforma política ("perestroika") promovida pelo então líder soviético, Mikhail Gorbachov. O chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, estava em Varsóvia (Polônia) em visita oficial e só voltou a Berlim no dia seguinte.

O muro, classificado como "da vergonha" pelo Ocidente capitalista e como "muralha de proteção contra o antifascismo" pelo leste comunista, permaneceu de pé por 28 anos, dois meses e 27 dias.

Em sua construção, decidida na reunião do Pacto de Varsóvia (Moscou, junho de 1961) por iniciativa da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), trabalharam cerca de 40 mil soldados e policiais da RDA.

O muro cruzava Berlim e rodeava a parte ocidental, transformando-a em uma "ilha". E sua origem está na divisão da Alemanha, decidida pelas potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (Estados Unidos, Reino Unido, França e URSS) e que, em 1949, acabou gerando dois países: a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e a RDA. 

Polícia matou 276 pessoas que tentaram cruzar o muro


Por causa do muro, Berlim tornou-se símbolo da Europa repartida em dois blocos após a explosão da Guerra Fria, travada por Estados Unidos e seus aliados ocidentais, de um lado, e pela URSS e os países sob sua influência ao leste da Áustria, do outro.

Segundo a Promotoria de Berlim, pelo menos 276 pessoas morreram e mais de 3.000 foram presas tentando fugir do comunismo do lado leste. A primeira vítima foi Günter Litfin, que tinha 24 anos quando perdeu a vida, em 24 de agosto de 1961. A última foi Chris Gueffroy, morto a tiros em 5 de fevereiro de 1989, aos 20 anos.

Depois da queda, o debate passou a ser sobre a reunificação. Os gritos de "Somos o povo", com o qual os berlinenses se manifestavam a favor da queda do muro 1989, foram trocados pelos de "Somos um povo".

Duas décadas depois da abertura do Muro de Berlim, a Alemanha ocupa um novo lugar no cenário internacional e não hesita em dizer não a seus parceiros para defender seus interesses, afirma Jackson Janes, do Instituto Americano de Estudos Contemporâneos sobre a Alemanha.

- Até 1989, entre os Estados Unidos e a URSS, a Alemanha era uma questão de política externa, e hoje ela se tornou um ator.

Os alemães defendem os interesses nacionais. Até a reunificação, "ser europeu era o único nacionalismo permitido na Alemanha", lembra Ulrike Guérot, do Conselho Europeu para as Relações Exteriores.

Liberada dos constrangimentos da divisão em dois Estados pertencentes a dois blocos, "ela teve de enfrentar escolhas novas e aprendeu a dizer não", explica Janes.

Desemprego ainda é maior no lado oriental

Mesmo assim, as diferenças entre Leste e Oeste permanecem grandes ainda hoje. E um estudo realizado pelo Instituto Rheingold de Colônia (Oeste) por causa da data histórica mostra que elas são mais culturais e sociais do que políticas.

Stephan Grünewald, diretor do instituto, conta que a preocupação dos moradores no Leste "é a busca por estabilidade na vida cotidiana", principalmente no trabalho, "sobretudo a prioridade dada à família e aos amigos".

- As pessoas são, em geral, mais pragmáticas no Oeste.

 

Veja reportagem mostrando as diferenças entre os lados:

 



Segundo um relatório oficial, o desemprego é duas vezes maior na ex-RDA - mais de 13% - do que na ex-Alemanha Ocidental. E o Leste sofre no momento mais que o Oeste a onda de choque da crise econômica.

Atualmente, a Alemanha tenta transformar sua imagem por meio de uma Berlim renovada, com grande atividade e pretensão de se tornar uma grande capital européia. Segundo seu prefeito, Klaus Wowereit, a cidade também busca virar o ponto de encontro entre o leste e o oeste do continente.

Da velha Berlim, restam 1,3 quilômetro de muro, trecho que recebeu o nome de East Side Gallery após ter sido grafitado por dezenas de artistas de todo o mundo.

As autoridades também decidiram manter a passagem fronteiriça de Check Point Charlie, outro famoso ponto turístico local.
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