Dario León/16.06.2010/AFPMembros da Polícia Ministerial carregam corpos que tiveram suas cabeças decepadas em Apodaca, no México; parte das armas vêm dos EUA
27 de Maio de 2012
Armas são compradas legalmente no país vizinho e passam para o lado mexicano
O México é um país com leis duras para a venda e posse de armas, no entanto o aparato legal serve de muito pouco quando o país vizinho é aquele que tem a maior quantidade de civis armados no mundo: os Estados Unidos. Esta é a advertência que faz a publicação A Globalização do Crime: Uma Avaliação sobre a Ameaça do Crime Organizado Transnacional, lançada nesta quinta-feira (17) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em Nova York.
Difícil de combater, a passagem de armas em tal fronteira foi um dos temas da última viagem do presidente do México, Felipe Calderón, aos EUA. Ao anunciar reforços ao Plano Mérida – uma série de ajudas dos EUA para combater os narcotraficantes mexicanos - em março deste ano, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reconheceu que seu país tem um papel importante na violência mexicana, pelo consumo de drogas e também pelo contrabando de armas.
O armamento para o lado mexicano é um tráfico classificado de “formiga”, escondido em carros de passeio, ônibus ou caminhões. As quantidades são pequenas e a fiscalização é falha.
O relatório usa um exemplo dado pelo subcomandante Marcos, que se tornou um ícone de uma guerrilha mexicana nos anos 1990, afirmando que as armas vinham em carros, no fluxo dos dois países. A posição especial dos EUA transforma este vai e vem especialmente danoso.
“Os EUA são o maior exportador de munição de pequeno calibre, pequenas armas militares e armas leves. É também o maior importador de munição de pequeno calibre, armas para esporte, pistolas e revólveres. Têm a população civil mais armada no mundo, com um quarto de todos os seus adultos com, ao menos, uma arma de fogo”, coloca o relatório.
O texto deixa claro que não se trata da única forma pela qual os cartéis mexicanos obtém armas, mas o fluxo é uma fonte importante do material. O fato de que apenas pessoas condenadas por um crime tem restrições para comprar armas nos EUA também é ressaltado no relatório, que ainda coloca que em feiras do setor, nenhum tipo de registro de comprador é feito.
Assolado pela violência com a guerra ao narcotráfico liderada pelo presidente Calderón, o México registra episódios macabros de violência e desafio à ordem institucional. Em algumas áreas, como Ciudad Juarez, há uma verdadeira guerra entre poder público e traficantes.
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