23.11.2009/AFPO presidente do Irã recebeu críticas no Congresso Nacional, onde a visita de Ahmadinejad causou desconforto e gerou protestos
12 de Fevereiro de 2012
Presidente do Irã ganhou afago de Lula e cutucão de Sarney e Temer no Congresso
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desembarcou nesta segunda-feira (23) no Brasil com uma comitiva de cerca de 150 empresários, para uma visita que buscava impulsionar o comércio entre os dois países.
Sua vinda teve também como meta romper o isolamento a que a nação islâmica está submetida por causa de seu polêmico programa nuclear, além de declarações anti-Israel de Ahmadinejad e de uma tensa relação com os Estados Unidos.
A visita repercutiu na imprensa internacional. Houve protestos no Rio, em Brasília e até no Congresso Nacional, onde os presidentes do Senado e da Câmara fizeram críticas indiretas ao presidente iraniano, durante sua visita à casa.
No encontro, em Brasília, o presidente Lula defendeu o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear "para fins pacíficos".
Ahmadinejad discursou depois de Lula e disse que apoia o Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), uma das principais reivindicações da diplomacia brasileira.
Presidente recebe indiretas no Congresso
O presidente iraniano também discursou no Congresso Nacional, onde recebeu críticas veladas do presidente do Senado, José Sarney, e do presidente da Câmara, Michel Temer. Os dois parlamentares estavam contrariados com a visita polêmica e fizeram um discurso ressaltando que o Brasil é um país pacífico, que não tem armas nucleares e que respeita a diversidade religiosa.
As declarações foram uma indireta ao líder do Irã, um país com regime autoritário e religioso que agora tenta desenvolver um programa nuclear apesar da oposição de boa parte do mundo.
Na visita ao Congresso Ahmadinejad foi recebido por protesto de parlamentares. Os deputados Marcelo Itagiba (PSB-RJ) e Zenaldo Coutinho (PSBD-PA) estenderam uma faixa dizendo "Holocausto Nunca Mais". Eles criticaram as declarações polêmicas de Ahmadinejad, que considera a morte de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra como um "mito" criado pelo Ocidente.
Depois do Congresso, o líder do Irã seguiu para o 3º Encontro Empresarial, onde traçou uma meta como Brasil de ampliar as trocas comerciais de R$ 1,97 bilhão (US$ 1,14 bilhão) para R$ 17 bilhões (US$ 10 bilhões).
Jantar com a comunidade encerra a visita
Um dos pontos mais esperados da visita de Ahmadinejad, a palestra no Iesb (Instituto de Educação Superior de Brasília), acabou sendo cancelada de última hora, por falta de segurança. O Palácio do Planalto disse à Embaixada do Irã, que organizou o evento, que não tinha condições de garantir a segurança do encontro.
Ahmadinejad partiu, então, para uma entrevista coletiva com jornalistas num hotel em Brasília. Além de defender uma nova ordem econômica mundial, o presidente disse que americanos e israelenses não têm coragem de atacar o Irã. Israel e Estados Unidos desconfiam dos objetivos "pacíficos" do programa nuclear iraniano.
O último compromisso de Ahmadinejad nesta segunda (23) em Brasília foi um jantar com membros da comunidade iraniana no Brasil, na Embaixada do Irã.
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