23 de Fevereiro de 2012
Ex-companheira de cela afirma que iraniana era analfabeta e que nunca traiu o marido
.A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que havia sido condenada à morte por apedrejamento por adultério, assinou uma confissão dos crimes dos quais é acusada sem saber o que fazia, já que é quase analfabeta, relatou uma ex-companheira de cela.
A jornalista Shahnaz Gholami, que esteve presa com Sakineh por 99 dias entre 2006 e 2007 suspeita de ser opositora ao regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad, contou à agência de notícias ANSA que o documento firmado pela iraniana estava escrito em farsi, língua quase desconhecida por ela, que compreende só azerbaidjano.
- Assim que lhe foi informado o que tinha assinado, desmaiou na cela e por vários dias se recusou a comer e beber.
O caso da mulher de 43 anos atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanha de direitos humanos que mobilizou governos e entidades.
Considerada culpada de adultério pela Justiça, ela foi condenada à morte por apedrejamento, setença que depois mudou para enforcamento, mas a pena acabou sendo suspensa no início de setembro. Além disso, Sakineh também é acusada de ter sido cúmplice no homicídio do marido.
Sakineh disse nunca ter traído o companheiro
Segundo Gholami, a ex-companheira de cela sempre se proclamou "inocente" e contou "não ter jamais traído o marido".
- E disse que ele não foi assassinado, mas morreu acidentalmente em casa, tendo um ataque fulminante na ducha.
De acordo com a versão oficial do governo iraniano, o homem morreu "por injeção de uma ampola e choque elétrico durante o banho". Sakineh teria planejado o assassinato e ministrado a ele um sonífero.
A porta-voz do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, denunciou neste sábado (30) que "há três semanas" o filho da iraniana, Sajjad Ghaderzadeh, que foi preso pelas autoridades locais junto ao advogado da acusada, "está sob tortura".
- Não foi fixada a data do processo. O rapaz continua preso e isolado em uma cadeia secreta nas proximidades de Tabriz. Nem mesmo a família está em condições de contatá-lo. E há três semanas está sendo brutalmente agredido pela polícia iraniana.
De acordo com Ahadi, o jovem não tem representante legal, pois os advogados têm medo de ser preso, mas o comitê contra o apedrejamento "buscará lhe dar um advogado internacional".
Há alguns dias, Ahadi enviou uma carta aberta ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convidando os 27 Estados da União Europeia (UE) a escrever um documento pedindo "a imediata libertação" de Sakineh, Sajjad, do advogado Javid Houtan Kian e de dois jornalistas alemães. Os quatro foram presos todos juntos, durante uma entrevista com o filho da iraniana e seu representante legal, em 11 de outubro.
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