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publicado em 11/03/2011 às 10h44:

Se terremoto não fosse no Japão número
de mortos seria maior, diz especialista

De acordo com sismólogo, país é o mais preparado para este tipo de abalo

Mariana Londres, do R7, em Brasília

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Se o terremoto que atingiu o Japão na madrugada desta sexta-feira (11) tivesse ocorrido em qualquer outro lugar do mundo o número de mortos seria muito maior. A informação é do chefe do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília), Lucas Vieira Barros. Até as 10h30, havia notícias de dezenas de mortos em função dos abalos.

- Esse grande terremoto, se fosse em outro lugar, por certo não estaríamos falando de cem, duzentos, até mil mortos, seriam milhares de mortos. O Japão tem uma sismologia extremamente avançada, que trabalha em parceria com a engenharia sísmica.

O professor explicou que o Japão, por estar localizado na junção de três placas tectônicas, é extremamente suscetível a abalos e tsunamis. E por isso, ao longo dos anos, desenvolveu um sistema construtivo que leva em conta os abalos máximos para cada região.

- A sismologia calcula os terremotos, infere as acelerações possíveis e máximas em cada lugar e passa as informações para a engenharia sísmica. E a engenharia sísmica vai construir prédios que irão suportar as acelerações máximas esperadas. Se você olhar as imagens há prédios balançando muito, e nenhum caindo.

Além da construção de prédios, o Japão conta ainda com grandes barreiras, que evitam a devastação pelas ondas gigantes, que se sucedem aos tremores.

- No Japão há ainda barreiras de contenção. Porque sabe-se que ali é uma região propensa a terremotos que geram tsunamis. Então eles têm barreiras naturais que minimizaram os efeitos das ondas que arrebentaram pela costa do Japão.

Outro aspecto importante que evitou estragos maiores é a educação do povo japonês para lidar com esse tipo de desastre natural.

- O outro aspecto é o cultural. O povo é educado e não entra em pânico. Dá para ver nas imagens que o povo não entra em pânico, e nessas horas o pânico contribui para o desastre. Quem estava mais em pânico era o repórter brasileiro que estava lá [o correspondente da Rede Record no Japão, André Tal]. O coração dele está para sair pela boca. Ele estava fazendo uma entrevista dentro de um shopping, e tudo começa a balançar e ele continua falando agora do terremoto. Mas ele era a pessoa mais desesperada.

Megaterremoto

O terremoto de 8,9 graus na escala Richter que atingiu costa nordeste do Japão na madrugada sexta-feira (11) foi considerado por sismólogos como um megaterremoto. De acordo com o chefe do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília), Lucas Vieira Barros, o terremoto pode ser considerado ‘mega’ em função da magnitude.

- O poder de destruição deste terremoto está associado a três fatores: o primeiro a magnitude, um terremoto desse pode ser considerado um megaterremoto. O segundo pela sua localização, dentro do Oceano Pacífico [ o que causa tsunamis]. E o terceiro está associado ao mecanismo que gerou esse terremoto, que resultou da movimentação do assoalho do Oceano Pacífico. Essa movimentação fez com que toda a massa de água que estava no fundo do mar se movimentasse, de forma vertical. Isso fez com que gerasse o tsunami.

O professor da UnB explicou que a região do Japão, além de estar na junção de três placas, está em região da chamada ‘subducção’, que é quando uma placa está mergulhada debaixo de outra placa.

- O Japão geograficamente está localizado em uma região de grandes terremotos, com a junção de três placas tectônicas. Sabidamente os grandes terremotos ocorrem em regiões de limite de placas. E os maiores ainda ocorrem em regiões de subducção, que significa mergulho de placa. Uma placa mergulha debaixo da outra. É como se você entrasse debaixo de uma mesa, e quanto você levanta, você levanta a mesa. Regiões de subducção são as que produzem os maiores terremotos, como é o caso do Japão e como é o caso da América do Sul.

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