ReproduçãoO Clarín, o principal opositor dos Kichner, já foi ocupado sem maiores explicações pela Receita Federal este ano e perdeu poder com a nova lei do audiovisual; oposição vê retaliação do governo
27 de Maio de 2012
Ato trabalhista é visto como mais uma hostilidade do governo argentino à imprensa
Não é a primeira vez que o grupo de Moyano impede a circulação de jornais críticos ao governo de Cristina e Néstor Kirchner na Argentina. Neste ano, o Clarín o maior opositor do casal, sofreu uma estranha inspeção da Receita Federal argentina, que ocupou a sede do jornal causando polêmica e deixando os argentinos sem maiores explicações sobre o que acontecia. No mês passado, o governo conseguiu passar no Congresso a nova lei do audiovisual, que tira poder dos grupos de comunicação, sobretudo do Clarín.
O grupo de Moyano, que é presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e vice-presidente do partido "Peronista" (dos Kirchner), já fazia uma mobilização nos jornais desde a tarde desta quarta (4). No início da madrugada, Moyano foi com dezenas de sindicalistas em 30 veículos às gráficas dos dois jornais, tentando paralisar as mesmas. Em seguida, o grupo foi aos centros de distribuição dos dois jornais, segundo informação do Clarín e La Nación. O bloqueio só acabou às 6h desta manhã.
Fins políticos
A central sindical de Moyano exigia que os motoristas de cooperativas que prestam serviços aos dois jornais se filiassem ao Sindicato dos Caminhoneiros, chefiado por seu filho, Pablo Moyano (do qual ele já foi líder). Com a pressão, cinco das seis cooperativas cederam e fizeram um acordo com o sindicato. Para os jornais, assim como para a oposição, o ato tem fins políticos.
Ao La Nación a senadora María Eugenia Estenssoro, da Coalizão Cívica (oposição), disse que Moyano busca a "monopolização sindical" e relacionou o ato com o governo Kirchner:
- Tudo isso gera suspeitas (...). Há uma clara investida do governo para limitar a liberdade da imprensa privada. Que um de seus principais aliados [Moyano] persista com essas medidas, isso é algo muito questionável.
O Clarín disse que "além da questão sindical, sem dúvidas, [o grupo] buscava impedir que jornais como o Clarín, o La Nación e outros cheguem aos seus leitores. Atrás do ato se esconde uma maior pressão do sindicalismo kirchnerista contra os meios de imprensa críticos à gestão do governo".
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