27 de Maio de 2012
Jovem nação africana se tornou a 193ª do mundo e sofre com a falta de água e comida
O mundo ganha neste sábado seu 193º país: o Sudão do Sul. A jovem nação surge após a realização de um referendo em janeiro, mas já nasce com uma pesada carga de problemas para resolver.
Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), o Sudão do Sul enfrenta falta crônica de alimentos e menos de 25% das pessoas têm acesso a serviços básicos de saúde.
O deslocamento de pessoas - milhares de refugiados e cerca de 300 mil moradores que devem voltar ao agora novo país - deve pressionar ainda mais os já frágeis sistemas de fornecimento de água e saneamento, além da moradia, avalia Carole Coeur, coordenadora de emergência dos Médicos Sem Fronteiras para o Sudão do Sul.
- Aqueles que já vivem nas aldeias receberam os deslocados e os ajudaram o melhor que podiam. No entanto, não há alimentos, abrigos ou água potável para quem já residia ali e quem está fugindo da violência. A temperatura chega a 40° durante o dia, a malária é endêmica e a estação das chuvas está começando. Eles podem ter escapado das bombas, mas ainda estão vivendo em estado de emergência.
Em 9 de janeiro, o governo sudanês realizou um referendo para decidir se o sul seria separado. O resultado - determinado quase um mês depois - mostrou uma virtual unanimidade: 98,83% dos eleitores votaram pela independência do território. O presidente do Sudão, Omar al Bashir, afirmou à época que aceitava o resultado. Bashir subiu ao poder em 1993.
Guerras, petróleo e turbulência política
Em 1956, o Sudão declarou independência do controle britânico-egípcio, mas em outubro de 1964 o governo então estabelecido no país foi derrubado por um movimento islâmico. Em 1972, o grupo rebelde Anya Nya e o governo sudanês assinam um acordo, e o sul do país ganhou um governo autônomo – mas não a independência. Em 1978 foi descoberto petróleo no sul.
Por dez anos - entre 1983 e 1993 -, o país viveu uma grande instabilidade política, com guerras civis e acordos de paz se alternando, até que Omar al Bashir (muçulmano) foi indicado presidente.
Em 1998, o país ganhou uma nova Constituição, mas no ano seguinte Bashir fechou o Congresso e declarou estado de emergência – também em 1999 o país se tornou exportador de petróleo.
Darfur foi um marco da violência
Em 2003, a Província de Darfur se rebelou, acusando o governo sudanês de negligenciar a região, e no ano seguinte começou uma das piores matanças da história: na contagem da ONU (Organização das Nações Unidas), a guerra em Darfur deixou 300 mil mortos (embora o governo assuma “apenas” 20 mil mortes); 3 milhões fugiram, para outras partes do país ou para países vizinhos. O massacre foi realizado por milícias muçulmanas pró-governo chamadas Janjaweed.
Ainda em 2004, começam negociações de paz para desarmar as milícias. O então secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, chamou a crise no Sudão de genocídio – classificação que a ONU ainda não adotou.
Em janeiro de 2005, um acordo de paz foi assinado, com divisão de poder e dos recursos obtidos com o petróleo. No mesmo ano, começou a ser formado um governo do sul do país com mais autonomia, mas grupos rebeldes rejeitam as propostas e continuam a lutar.
Os combates se intensificam e, em 2007, a ONU enviou forças de paz para auxiliarem os soldados da UA (União Africana); em 2008, o TPI (Tribunal Penal Internacional) pediu a prisão de Bashir, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra - primeiro feito pelo tribunal para um chefe de governo ainda no cargo. O governo sudanês rejeitou o pedido, que em 2009 se tornou um mandado de prisão, também rejeitado.
Em 2010 ,Bashir foi reeleito, e o TPI emitiu um novo mandado de prisão contra ele - desta vez sob acusação de genocídio.
Veja os dados do Sudão do Sul, o mais novo país do mundo
Área: 640 mil km2
Clima: equatorial, com muita umidade e temporadas de chuva que se concentram principalmente entre abril e novembro
Moeda: libra sudanesa (equivale a R$ 0,58)
Idioma: árabe - mas o ingles é utilizado em escolas e em assuntos de governo, além de ser bastante difundido no país
Capital: Juba

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