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publicado em 01/09/2011 às 10h27:

Tragédia do 11 de Setembro expôs a fragilidade
da internet e ajudou a web a amadurecer

Serviço teve problemas de lentidão quando as redes sociais ainda não existiam

André Sartorelli, do R7

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Quando começaram a circular pelo mundo as informações sobre o ataque terrorista às torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, muitas pessoas ligaram de pronto a TV mais próxima e puderam assistir ao terrível desfecho marcado pela morte de quase 3.000 pessoas.

Pelas ruas de Manhattan, filas se formavam em frente aos telefones públicos. Em poucos minutos, o sistema de telefonia entrou em colapso, afetando também a internet, um meio de comunicação que funcionava principalmente através de conexões discadas.

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No Brasil, a Embratel, na época a principal operadora de chamadas de longa distância, registrou, em comparação com um dia comum, aumento de quarenta vezes no número de ligações para os Estados Unidos no período entre 11h e 12h. O total de chamadas chegou a 1 milhão nesse horário – a média era de 80 mil. A situação só foi normalizada no dia seguinte.

No dia da tragédia, o tráfego de internet cresceu em torno de 20%. Na época, não existiam as redes sociais, que hoje facilitam a interação entre as pessoas quando alguma coisa importante acontece. Mark Zuckerberg, que em 2004 fundou o Facebook, a maior rede social do mundo com mais de 750 milhões de usuários, ainda estava no colégio em 2001. O Orkut e o Twitter também só surgiram em 2004.

Por isso, em meio ao caos, o e-mail foi o principal recurso para interação pela web.

A brasileira Flávia Leather, analista de crédito e moradora de Nova Jersey desde 1993, conta que estava trabalhando quando recebeu a notícia sobre o ataque.

- Onde eu trabalhava, muitas TVs ficavam ligadas o tempo todo nos canais de negócios financeiros. De repente, a programação foi interrompida para mostrar o WTC em chamas. Os telefones celulares não estavam funcionando. Só consegui entrar em contato com minha família usando uma linha fixa e, mesmo assim, tive de tentar várias vezes. O e-mail funcionava sem problemas e pude me comunicar com amigos que tenho no Brasil.

Buscas na internet

A Universidade de Berkeley montou um site especial para ajudar as buscas por amigos ou familiares. O recurso é praticamente igual ao adotado pelo Google logo após os tremores que atingiram o Chile em 2010 e o terremoto seguido pelo devastador tsunami enfrentado pelo Japão em março deste ano.

Os maiores portais de notícias do mundo estavam diante de sua primeira cobertura em escala global desde o início da internet comercial, em 1995. Sufocados por milhares de acessos simultâneos, sites como CNN, New York Times, Washington Post, El Pais, Le Monde e portais brasileiros adotaram capas mais leves, com poucas fotos, porque sabiam que a velocidade das conexões estava muito lenta.

Em 11 de setembro de 2001 o acesso à internet no Brasil cresceu em torno de 20% sobre a média diária. Nos sites jornalísticos, o aumento ficou entre 70% e 150% em relação ao dia anterior, de acordo com a Embratel.

Para Ramon Salaverria, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, na Espanha, o grande fato provocou uma renovação porque, mesmo com problemas, a internet colocou à prova sua capacidade de oferecer informação em tempo real.

- Um internauta de São Paulo poderia acompanhar pela internet o que diziam os veículos de comunicação sediados em Nova York. Foi algo que se tornou costume depois. No entanto, nem todas as inovações foram positivas. O 11 de Setembro mostrou que os meios digitais tinham uma grande fragilidade tecnológica porque muitos sites caíram. Da mesma forma, houve muitas informações falsas que se propagaram pela internet com absoluta rapidez.

Teorias conspiratórias

Na mesma terça-feira em que ocorreram os ataques, começaram a circular pela rede as primeiras mensagens com supostas profecias atribuídas a Nostradamus e a trechos da Bíblia. Dias depois, surgiu até um passo a passo para “identificar” em uma nota de dólar a imagem das duas torres que foram ao chão. O site de compras e vendas eBay recebeu anúncios em que eram vendidos cartões postais e supostos pedaços dos escombros das Torres Gêmeas.

Com a produção de vídeo ainda muito limitada, e-mails com montagens fotográficas “misteriosas” se espalharam pelo mundo por e-mail e blogs.

Uma das maiores lendas da internet relacionadas a 11 de setembro de 2001 foi o Tourist Guy, uma foto-montagem em que aparece um turista que misteriosamente teria sido fotografado no alto de uma das torres segundos antes de um dos aviões sob controle dos terroristas atingir o prédio. Ao fundo da montagem, é possível ver uma aeronave se aproximando.

Rosana Hermann, jornalista e blogueira do R7, conta que o Tourist Guy foi uma das primeiras imagens a se tornar meme – ou sucesso viral – na internet. Segundo ela, a montagem exemplifica um tipo de comportamento diretamente ligado ao crescimento da web.

- Eu acho que [a tragédia de 11 de setembro de 2001] foi o primeiro acontecimento em que o mundo inteiro se sentiu em rede. Antigamente, a gente não se sentia nem dono dos fatos, nem conectado a eles. Os fatos não eram nossos. É como se houvesse um muro invisível muito distante entre nós e o fato. Com a internet, a gente começou a ser dono dos meios de produção e publicação. As pessoas passaram a se sentir donas dos fatos. O Tourist Guy é o comecinho disso. É a cultura do remix, de fazer a ficção a partir da realidade para se sentir de alguma maneira conectado àquele acontecimento tão extraordinário.

A professora e pesquisadora Elizabeth Saad, coordenadora do Digicorp (pós-graduação em gestão integrada da comunicação digital) da USP (Universidade de São Paulo), diz que a manifestação do público teve, em 2001, um ritmo diferente se comparado ao atual.

- De imediato, tinham blogs que descreviam detalhes do 11 de Setembro, mas a maior parte só foi criada dias depois. Os portais também se organizaram a partir do ritmo da comunicação via internet. Por exemplo, passaram a organizar banco de dados. A partir desse dia, a internet passa a se impor mais no processo de comunicação entre as pessoas.

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