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publicado em 11/06/2010 às 14h52:

Tragédias marcam vida de Nelson Mandela

Bisneta de 13 anos do líder sul-africano morreu em acidente

AFP

O primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, permaneceu separado de seus parentes e amigos por quase três décadas durante sua estada numa prisão do apartheid, e nesta sexta-feira (11), com a morte de sua bisneta, voltou a viver mais um drama familiar.

A morte de Zenani Mandela, de 13 anos, em um acidente de carro na madrugada desta sexta, naturalmente obrigou o ícone da luta contra o apartheid a permanecer de luto ao invés de participar na cerimônia e partida inaugural do mundial de futebol.

A tragédia se soma ao conjunto sombrio da vida de Mandela, que já perdeu três filhos e vivenciou dois divórcios.

O primeiro grande golpe familiar que ele viveu aconteceu nos anos em que era casado com Evelyn Ntoko Mase, quando sua filha Makaziwe perdeu a vida com nove meses, em 1947.

Posteriormente, o filho mais velho do casal, Madiba Thembekile, morreu em um acidente de trânsito em 1969, quando Mandela estava na prisão da ilha Robben.

Lá, Mandela cumpria uma condenação à prisão perpétua por seu papel na criação do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), ditada contra ele quando tinha 44 anos, e as autoridades penitenciárias negaram que fosse ao enterro.

O Prêmio Nobel da Paz de 1993 também não pôde se despedir de sua mãe, falecida um ano antes de morte de seu filho.

Em sua autobiografia, Mandela escreveu sobre a dor que sentiu ao não poder ir a esses enterros, e manifestou sentir-se culpado por antepor a luta política contra o regime racista do apartheid a sua família. Ele se questionou sobre o assunto.

"Tomei uma boa decisão pondo o bem-estar do povo antes do de minha família?", escreveu Mandela.

Outro filho de Mandela com Mase, Makgatho Lewanika Mandela, morreu vítima de uma doença vinculada com sua infecção pelo vírus da Aids em 2005.

Sobre esse caso, o ex-presidente falou com clareza, convertendo-se na primeira personalidade de seu país a quebrar o tabu de falar da pandemia, que registra os índices mais elevados do mundo.

- Falemos publicamente da Aids e não nos escondamos, porque a única maneira de fazer parecer uma doença normal é dizer que alguém morreu de Aids.

Sua franqueza contrastou com a atitude do também ex-presidente Thabo Mbeki, que durante um tempo negou a relação entre o vírus e a doença e chegou a frear a distribuição de medicamento antirretrovirais.

Seu casamento com Mase acabou em divórcio em 1958, mas em junho do mesmo ano ele se casou com Winnie Madikizela-Mandela, uma união que também chegou a seu fim tristemente.

Depois dos 27 anos de Mandela na prisão, o casal se separou passados apenas dois anos de sua libertação, em 1990, apesar do divórcio se tornar oficial em 1996, em pleno mandato presidencial.

A bela militante se envolveu num escândalo ao se cercar dos seguranças do Mandela United Football Club, que mataram Stompie Sepei, um adolescente suspeito de ser um agente do regime dos brancos.

Mandela só se separou dela quando ela foi condenada pelo sequestro de Sepei, em 1992.

Em 1998, Mandela voltou a se casar, dessa vez com Graça Machel, que também está ligada a uma trágica morte, a de seu marido anterior, o presidente moçambicano Samora Machel, que morreu em um misterioso acidente aéreo no norte da África do Sul em 1986.

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