27 de Maio de 2012
Tanques estariam bombardeando zonas residenciais da cidade
Tropas leais ao líder líbio Muammar Gaddafi atacaram a cidade de Misrata nesta sexta-feira (1º), segundo informações da agência de notícias Efe. A cidade, a terceira maior da Líbia, está sob controle rebelde, mas continua sendo duramente bombardeada por forças de Gaddafi, já que fica isolada entre Trípoli e Benghazi, encravada bem no meio da região oeste do país, ainda controlada pelo ditador.
Saiba como se escreve o nome do ditador líbio
Segundo a Efe, artilharia pesada de tanques, morteiros e granadas foram utilizadas contra zonas residenciais da cidade, localizada a 200 km leste da capital Trípoli.
Um porta-voz dos rebeldes, Mustafa Geriani, disse que “partidários de Gaddafi estão bombardeando áreas habitadas de Misrata”. O representante dos revolucionários também afirmou que o Exército também ataca duramente a cidade de Zintan, no oeste do país e perto da fronteira com a Tunísia.
Geriani acrescentou que o número de vítimas devido aos bombardeios de hoje em Misrata é desconhecido. Segundo o porta-voz, há “falhas no sistema de comunicação” dentro da cidade.
Mais de 400 rebeldes estão desaparecidos
Mais de 400 pessoas estão desaparecidas no leste da Líbia desde que o início do levante contra Muammar Gaddafi, há seis semanas. Segundo a agência de notícias Reuters, parentes têm colado cartazes com fotos de jovens desaparecidos e números de telefone para receber informações de seus paradeiros.
Mais de 120 cartazes estampam os muros e o portão de entrada do hospital. Pelo menos quatro exibem homens em uniforme militar. Ativistas de direitos humanos afirmam que o número ainda inclui quatro médicos líbios e três jornalistas. Mas a maioria é de desempregados que se uniram ao exército de voluntários rebeldes como combatentes ou apoiadores. Outros teriam sido levados pelas forças de segurança de Gaddafi, segundo relatos.
No escritório do Crescente Vermelho (como é conhecida a organização humanitária Cruz Vermelha nos países de maioria islâmica) em Benghazi, o coordenador de vestígios Omar Budabous e uma equipe de dez voluntários vêm compilando listas, entrevistando parentes e visitando hospitais na cidade e em Ajdabiyah, cidade localizada mais ao sul e que ainda vive intenso confronto entre tropas do ditador e os rebeldes.
- As pessoas vêm aqui todos os dias para fazer um relato.
Budabous listou 353 desaparecidos de Benghazi e região, 17 de Ajdabiyah, 21 de Al Bayda, pequena cidade no nordeste, e 22 do vilarejo de Tikra.
- A maioria é civil. Alguns foram para frente de batalha com os rebeldes e não houve mais notícias.
Espanha anuncia corredores humanitários na Líbia
A Espanha abriu e custeará as despesas de dois corredores humanitários terrestres para enviar ajuda sanitária e alimentos à Líbia, anunciou nesta sexta-feira a secretária de Estado de Cooperação do país, Soraya Rodríguez.
As vias foram abertas graças a um acordo com a associação médica árabe, sediada no Cairo, que se comprometeu a fazer com que o material humanitário chegue à cidade de Benghazi, principal cidade controlada pelos rebeldes, para que seja distribuído ao resto do país.
A Espanha informou a seus parceiros europeus e à ONU da possibilidade de utilizar esta via e que “a cooperação espanhola assume todas as despesas de transporte e armazenamento”. Segundo Rodríguez, os corredores humanitários serão as primeiras vias de acesso seguro para ajudar a população líbia na região rebelde.
O acordo com a associação inclui ainda uma contribuição econômica no envio de cerca de 600 enfermeiros à área.
Rodríguez sustentou que o estabelecimento destas duas vias permitirá uma melhora na situação criada pelo bloqueio do espaço aéreo líbio, que provocou uma “situação humanitária complicada” na região controlada pelos rebeldes, e uma zona impenetrável controlada pelo coronel Muammar Gaddafi, na qual só se encontram a Cruz Vermelha Internacional e a organização Médicos sem Fronteiras.
A secretária de Estado espanhola disse que está preparando um novo carregamento de material médico especializado para ser enviado na próxima segunda-feira (4), e que será a terceira remessa da cooperação espanhola à região.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7