
Xiomara Castro passa um celular ao presidente deposto Manuel Zelaya, na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa (Honduras), onde estão asilados
11 de Fevereiro de 2012
Mulher do presidente deposto de Honduras disse ao R7 que "comunicação" com Lula pesou na escolha
Xiomara Castro, a mulher do presidente deposto Manuel Zelaya, é quem dá as ordens na bagunçada Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Desde segunda (21), a representação brasileira na capital de Honduras virou uma espécie de abrigo improvisado do seu marido, o presidente deposto Manuel Zelaya. O casal está instalado na sala do embaixador brasileiro Brian Michael Fraser Neele, que foi retirado do país pelo Itamaraty em protesto pelo golpe de Estado de 28 de junho que expulsou Zelaya ainda de pijama para a vizinha Costa Rica.
Desde esse dia, Xiomara liderava as manifestações pela volta de seu marido a Honduras. Em entrevista exclusiva ao R7, ela contou que foi a única pessoa a se comunicar com Zelaya quando ele voltava escondido a Tegucigalpa. Xiomara disse que seu marido escolheu a Embaixada do Brasil porque "com Lula ele sentiu segurança e confiança para saber que tinha um lugar para onde poderia ir".
Ainda não se sabe o trajeto preciso de Zelaya, que estava antes na Nicarágua. O jornal espanhol El País relatou que um avião da Força Aérea da Venezuela havia transportado o presidente deposto, fazendo inclusive uma parada em El Salvador. Acredita-se que o avião tenha pousado em alguma pista clandestina no interior de Honduras, e que Zelaya seguiu por terra até a capital.
Na embaixada brasileira em Tegucigalpa, Xiomara cuida de todos os detalhes domésticos e também coordena reuniões políticas. Segundo um funcionário do Itamaraty ouvido pela reportagem, "ela é mais articulada que o próprio Zelaya".
R7 - Por que Manuel Zelaya escolheu a embaixada brasileira para se refugiar?
Xiomara Castro - Essa foi uma decisão do presidente, eu não saberia responder. Acredito que a comunicação permanente com o presidente Lula pesou na decisão. Depois de tanto diálogo, ele [Zelaya] sentiu que alguns presidentes eram mais hostis [à sua volta]. Com Lula, ele sentiu segurança e confiança e sabia que tinha um lugar aonde poderia ir.
R7- O presidente teve apoio dos governos da Nicarágua e da Venezuela na volta a Honduras?
Xiomara - Sim, em absoluto. Ele também encontrou apoio de amigos hondurenhos e sobretudo dos camponeses, que o apoiaram muito. Ele usou vários tipos de transporte num caminho que levou 15 horas para chegar em Tegucigalpa por volta das 7h30 [9h30 no Brasil].
R7 - Ele falou com Hugo Chávez nesse meio tempo?
Xioamara - Não. Pelo menos eu acho que não. A única pessoa com quem ele estava permanentemente em comunicação era eu, porque ele vinha informando onde estava a cada hora para dizer que estava bem.
R7 - E a senhora, se comunicou com Chávez?
Xioamara - Não. Foram horas em que eu fiquei muito nervosa, se Zelaya atrasava 15 ou 20 minutos para me ligar. Eu não podia ligar para ninguém, porque ele me ligava de números diferentes a cada vez.
R7 - Neste momento a senhora já sabia que ele ia à Embaixada do Brasil?
Xiomara - Não. Eu soube em Tegucigalpa. Quando fui encontrá-lo numa avenida. Primeiro quis saber se ele estava bem. Depois que falamos, ele me contou da decisão. Ele assumiu a direção do carro e fomos à embaixada brasileira. Aí fui eu quem entrou na embaixada para falar com o ministro conselheiro [Ênio Cordeiro].
R7 - Ele ficou no carro?
Xiomara - Ele ficou no carro esperando. Aí o ministro conselheiro fez as comunicações com o Brasil.
R7 - E se a Embaixada do Brasil não o acolhesse, qual era a segunda opção?
Xioamara - Nunca conversamos sobre isso.
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