Permanência de Temer é um obstáculo para a Lava Jato, diz especialista americana

Entidade ressalta que acusações reafirmam a gravidade do problema da corrupção no Brasil 

Temer é acusado de ter aprovado suborno a Eduardo Cunha
Temer é acusado de ter aprovado suborno a Eduardo Cunha Reuters

Uma das maiores especialistas em estudos sobre o Brasil, a professora americana Barbara Weinstein, da Universidade de Nova York, considera que a permanência de Michel Temer na presidência do Brasil, após denúncia de que ele aprovou um suborno pelo silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, é um golpe contra a Operação Lava Jato.

— As investigações da Lava Jato de certa forma estão indo bem, mas o problema é que já está contaminada pela própria política. Temer mesmo faz parte de um grupo que está tão embutido em uma política corrupta que o fato dele ficar na presidência é um obstáculo até para o prosseguimento desta operação.

Em declaração oficial, a organização Transparência Internacional se posicionou neste sentido. A entidade afirmou que, se comprovadas, as revelações de hoje sobre as gravações que envolvem o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves, entre outros, mostram que a corrupção no Brasil ainda não tem sido combatida devidamente, mesmo com os esforços de operações como a Lava Jato.

— (As acusações) reafirmam a gravidade do problema da corrupção no Brasil e a forma como o bloqueio, a manipulação de testemunhas e outras atividades ilegais contaminam o sistema político.

Dos Estados Unidos, Barbara ressaltou que a situação não surpreende aqueles que acompanham com profundidade a história recente brasileira.

— Não tem nenhuma surpresa, a coisa estava nessa direção, não me surpreende o Temer envolvido. A situação era evidente desde que ele chegou à presidência, da maneira que chegou. Agora é o ápice do que vinha acontecendo. A escala é incrível, pelo número de pessoas envolvidas não vai sobrar ninguém, era previsível.

Fachin autoriza abertura de inquérito contra presidente do Senado

A professora considera que a turbulência pela qual o País passa neste momento pode trazer benefícios em um prazo mais longo. Mas ela alerta que, neste momento, é preciso que a sociedade brasileira lute para uma reforma ética definitiva nas instituições.

— No futuro, acho que tudo isso vai trazer benefícios. O Brasil não tem escolha, tem de reprensar sua esfera política e pública. Minha única preocupação é que este tipo de crise às vezes abre espaço para uma figura nefasta, populista, o que seria muito ruim. Há uma série de figuras que poderiam se aproveitar deste momento.