Internacional

5/2/2013 às 09h35 (Atualizado em 5/2/2013 às 10h20)

Polêmica se acirra, mas Obama mantém esforço por reforma imigratória

Presidente norte-americano quer oferecer aos 11 milhões de imigrantes ilegais um processo claro para chegarem à cidadania

Reuters

O presidente deve abordar o tema da reforma imigratória no seu importante discurso anual do Estado da União, em 12 de fevereiro JIM WATSON / AFP

O presidente dos EUA, Barack Obama, tentará nesta semana dar impulso à reforma da imigração, apesar da crescente resistência de alguns republicanos à possibilidade de concessão da cidadania norte-americana a estrangeiros que estão hoje em situação ilegal.

Obama terá nesta terça-feira (5) uma série de reuniões com executivos empresariais, sindicalistas e militantes progressistas, e enviou a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, ao sudoeste dos EUA para divulgar os esforços do governo na proteção das fronteiras.

O presidente também deve abordar o tema da reforma imigratória no seu importante discurso anual do Estado da União, em 12 de fevereiro.

Brasileiros barrados em porto dos EUA podem ter sofrido "discriminação", afirma diplomata

Depois de manterem a questão em segundo plano durante os últimos quatro anos, os republicanos foram punidos nas urnas em 2012 pelo eleitorado hispânico, e agora se mostram mais dispostos a aceitar uma reforma.

Mas já surgiram diferenças entre a proposta de Obama e as sugestões de um grupo bipartidário do Senado que também elabora sugestões para esse tema.

Obama quer oferecer aos 11 milhões de imigrantes indocumentados nos EUA um processo claro para chegarem à cidadania, o que incluiria o pagamento de multas, a verificação de antecedentes criminais e a necessidade de voltar "ao fim da fila", atrás de solicitantes legais.

O presidente já disse que a Casa Branca vai apresentar seu próprio projeto ao Congresso se os parlamentares não agirem rapidamente.

Republicanos influentes querem deixar a questão da concessão da cidadania para uma segunda etapa, priorizando a questão da vigilância nas fronteiras — uma vinculação que Obama e a maioria dos demais democratas acham difícil de aceitar.

Assessores de Obama estão confiantes no cacife do presidente para evitar concessões, e acham que, se a reforma parar no Congresso, o eleitorado tenderá a punir os republicanos na eleição parlamentar de 2014.

A estratégia republicana deverá ficar mais clara em breve. Na terça-feira, a Comissão de Justiça da Câmara, controlada pelos republicanos, e onde a reforma enfrenta mais resistência, inicia audiências sobre o sistema imigratório e a segurança nas fronteiras.

Um assessor democrata disse que os republicanos convocaram testemunhas que são "bem mais equilibradas do que você veria no Congresso anterior, quando veria defensores radicais apenas da fiscalização à frente e no centro".

Mas, num sinal das dificuldades em uma questão tão volátil, o senador republicano Jeff Sessions apresentou na segunda-feira um projeto destinado a retirar os imigrantes clandestinos dos locais de trabalho.

"Antes de considerarmos alguma anistia ampla, não deveríamos finalmente cumprir ao povo norte-americano a fiscalização dessas leis já em vigor? Para que servem novas promessas se as velhas são quebradas?", disse Sessions.

 

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