Internacional

20/12/2012 às 09h20 (Atualizado em 20/12/2012 às 09h20)

Putin sinaliza apoio a resposta dura contra lei dos EUA

Reuters

Por Alexei Anishchuk e Timothy Heritage

MOSCOU, 20 Dez (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse na quinta-feira que uma nova lei dos EUA que pune russos responsáveis por abusos aos direitos humanos está envenenando as relações bilaterais, e sinalizou apoio a uma medida retaliatória que proíba a adoção de crianças russas por norte-americanos.

Em declarações transmitidas ao vivo para o país, Putin, de 60 anos, também riu sobre as especulações de que estaria doente, e disse que a economia nacional vai bem.

Ele adotou um tom belicoso em sua primeira entrevista coletiva anual desde que voltou à Presidência, em maio, para um mandato de seis anos, após passar quatro anos como primeiro-ministro. Apresentou-se como um garantidor da estabilidade na Rússia após meses de protestos.

Putin qualificou de "muito ruim" a lei sancionada na semana passada por seu colega norte-americano, Barack Obama, que prevê a não-concessão de vistos e o congelamento de bens de russos que sejam acusados de violar direitos humanos. "É claro que isso envenena nossa relação", afirmou Putin.

Os dois presidentes já indicaram a intenção de se melhorarem suas relações depois de suas vitórias nas respectivas eleições, neste ano. Mas a divergência acerca dos direitos humanos ameaça tais esforços.

Putin sinalizou que deve sancionar a lei, já aprovada pelos deputados, que proíbe a adoção de crianças russas por cidadãos dos EUA e barra a entrada na Rússia de americanos que cometam abusos contra os direitos dos russos.

"É uma resposta emocional da Duma Estatal (Câmara dos Deputados), mas é uma resposta apropriada", disse Putin.

A polêmica começou quando o Congresso dos EUA aprovou uma lei que determina que os EUA --inimigos da Rússia durante a Guerra Fria-- rejeitem a concessão de vistos a violadores russos de direitos humanos. A lei foi redigida como reação à morte, ocorrida em 2009 numa prisão russa, do advogado Sergei Magnitsky, especializado em casos de corrupção.

Apesar de apoiar o projeto que tramitou na Duma, Putin disse que espera restringir a disputa com os EUA. O Kremlin diz que Obama visitará a Rússia no começo de 2013.

Durante sua primeira passagem pela Presidência, entre 2000 e 2008, Putin inaugurou a tradição de conceder longas entrevistas coletivas anuais para mostrar seu domínio sobre as minúcias da administração. A anterior, em 2008, durou quatro horas e 40 minutos.

Ele parecia decidido a mostrar que tem um firme controle sobre a Rússia, depois de enfrentar os maiores protestos em seus 13 anos de hegemonia política no país. Queria também mostrar que está forte e saudável, depois de despertar rumores ao aparecer mancando em uma cúpula internacional em setembro. Fontes governamentais disseram à Reuters na época que ele sofria de dores nas costas.

"Isso só é benéfico para oponentes políticos que estão tentando questionar a legitimidade e a eficácia das autoridades. Posso dar a resposta tradicional à questão da saúde: não vale a pena esperar."

(Reportagem adicional de Thomas Grove, Gabriela Baczynska e Nastassia Astrasheuskaya)

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