Internacional

14/2/2013 às 17h36

Rebeldes sírios derrubam dois aviões; 90.000 mortos no conflito

Os rebeldes sírios derrubaram nesta quinta-feira dois aviões militares do regime e tomaram o controle de uma cidade do norte, no momento em que o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que o conflito no país pode ter provocado a morte de 90.000 pessoas.

"Tive a oportunidade (...) de conversar esta manhã com o ministro das Relações Exteriores saudita (o príncipe Saoud al-Fayçal). A primeira coisa que ele me disse é que, segundo suas estimativas, pode ser que 90.000 pessoas tenham morrido na Síria" desde o início do conflito, em março de 2011, declarou Kerry durante uma coletiva de imprensa ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. As Nações Unidas estimam em 70.000 o número de pessoas mortas na Síria até o momento.

O conflito, que já dura quase dois anos, continua a matar dezenas de sírios todos os dias. Cerca de sessenta pessoas morreram nesta quinta-feira, segundo uma ONG síria.

Diante do impasse diplomático em torno do conflito, o jornal Asharq al-Awsat relatou um plano de paz da ONU que prevê a criação de um Senado para supervisionar a transição política do país, mas não menciona o futuro do presidente Bashar al-Assad.

Na quarta-feira, Kerry anunciou sua intenção de convencer Assad a deixar o poder por meio de uma solução negociada com a oposição e com a ajuda da Rússia.

"Precisamos resolver a questão do cálculo atual do presidente Assad. Acredito que há mais coisas que podem ser feitas para mudar a percepção atual" da situação na Síria, disse o secretário americano, que não quis ser mais preciso.

Nos campos de batlaha, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os rebeldes derrubaram dois aviões do regime nos arredores de Maaret al-Noomane, na província de Idleb (noroeste), no momento em que bombardeavam várias localidades da região.

Em um vídeo postado na internet, o grupo rebelde "Brigada dos Descendentes do Profeta" indicou a derrubada de um avião russo modelo Sukhoi com a ajuda de baterias antiaéreas.

Desde a militarização da revolta em resposta à repressão do regime, os rebeldes, menos equipados do que o Exército, conseguiram abater vários aviões militares, segundo o OSDH e militantes.

A aviação é o principal apoio do regime para manter sua supremacia na guerra contra desertores, civis que pegaram em armas e jihadistas.

No noroeste, perto da fronteira iraquiana, combatentes jihadistas da Frente Al-Nosra tomaram o controle da cidade de Al-Chaddade, na província petrolífera de Hassaka, após três dias de combates, informou o OSDH que se baseia em uma extensa rede de militantes e médicos.

Mais ao sul, na frente de combate de Aleppo, o regime reconheceu a perda no dia anterior da base militar estratégica "Brigada 80". Em contrapartida, assumiu o controle de Jobar, um bairro-chave de Homs (centro).

O OSDH e o Irã, país aliado do regime sírio, afirmaram que o comandante Hassan Shateri, dos Guardiões da Revolução, corpo de elite iraniano, foi morto por rebeldes sírios.

"Ele foi morto em uma emboscada dos rebeldes quando deixava Damasco em direção ao Líbano", informou o OSDH. As agência iraniana Fars indicou que ele foi morto na terça-feira, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, condenou o "ato terrorista".

De acordo com o jornal libanês As-Safir, Shateri havia viajado para Aleppo "para estudar projetos de reconstrução". O Irã é acusado pelo Ocidente de enviar armas e soldados à Síria.

O jornal saudita Asharq al-Awsat declarou que obteve uma cópia de um plano elaborado sob a égide das Nações Unidas sobre a criação de um Senado de 140 membros para conduzir o diálogo e supervisionar uma transição política. Ele seria presidido pelo vice-presidente Farouk al-Shara.

Enquanto isso, a Rússia anunciou que vai receber nas próximas semanas o líder da oposição, Ahmed Moaz al-Khatib, e o ministro sírio das Relações Exteriores sírio, Walid Mouallem. Mas Damasco descartou qualquer encontro entre os dois em Moscou.

bur-ram/tp/mr/dm

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