Internacional

22/12/2012 às 19h35 (Atualizado em 22/12/2012 às 19h35)

Renúncias e irregularidades marcam votação da 2ª fase do referendo no Egito

EFE

Susana Samhan. Cairo, 22 dez (EFE).- Os egípcios foram às urnas neste sábado para participar da votação da segunda fase do referendo sobre a nova Constituição, uma jornada que foi marcada por irregularidades e que acabou com a renúncia do vice-presidente do país, Mahmoud Meki. As longas filas de eleitores nos centros eleitorais do Egito também chamaram a atenção durante a votação da segunda fase do referendo, a qual foi realizada em 17 províncias do país. Após a primeira fase, realizada no último sábado em províncias como Cairo e Alexandria, hoje foi a vez do turno de Giza, que abrange parte da capital, e Qaliubiya, Manufiya, Beheira, Kafr Sheikh, Damieta, Ismaília, Port Said, Suez, Marsa Matruh, Mar Vermelho, Wadi al Guedid, Beni Suef, Fayum, Miniya, Luxor e Qena. Segundo a Agência Efe pôde constatar, em dois centros eleitorais do Cairo, homens e mulheres, literalmente, se amontoavam para tentar participar da decisão sobre o futuro da Carta Magna do país. Neste local, além da grande quantidade de eleitores, outro fator também chamava a atenção: a opinião dividida entre os eleitores. O arquiteto Mohsen Marai, de 60 anos, afirmou ter votado pelo "não" porque não existe um consenso sobre o texto constitucional e também porque há artigos com os quais ele não concorda, como o 202, que diz que o presidente da República deve nomear todos os organismos independentes e instâncias de controle. No entanto, para Marai, "isso não é adequado porque normalmente o presidente não define os membros desses órgãos". Já Mohammed, porteiro de um edifício, apontou que a melhor opção era o "sim": "A Constituição é boa e honorável porque permite que gente pobre como eu que tenha seus direitos defendidos", afirmou. Por causa dessa divisão entre os eleitores, as denúncias de supostas irregularidades eram registradas durante a votação, tanto por parte dos opositores, como o Movimento 6 de Abril e a Frente de Salvação Nacional (FSN), como pelos simpatizantes da Irmandade Muçulmana. As mais frequentes eram por conta do atraso na abertura dos colégios, mas muitas eram relacionadas às tentativas de partidários e opositores da Carta Magna de influir na vontade dos eleitores. Os opositores também se queixaram que muitos de seus observadores não puderam entrar nos centros de votação. Além da renúncia do vice-presidente e das irregularidades, a segunda fase de votação do referendo também foi marcada pelo boicote de duas importantes associações de juízes, que tomaram essa decisão após uma vitória do "sim" na primeira fase, segundo os resultados oficiais. Poucas horas antes do fechamento dos colégios eleitorais, o vice-presidente Mahmoud Meki apresentou sua renúncia ao considerar que "sua missão de serviço à pátria terminou". Ainda não estão claras as causas exatas da renúncia de Meki, já que, apesar da nova Carta Magna não assegurar a existência de uma Vice-Presidência, o próprio político, que é juiz de profissão, já havia tentado renunciar no último dia 7 de novembro, uma decisão que não foi aceita por causa do "período de instabilidade do país na ocasião". Nessa última carta, Meki lembrou as difíceis circunstâncias pelas quais o país passou nos últimos meses e seus esforços para que Mursi publicasse uma emenda constitucional capaz de anular a medida anunciada no último dia 22 de novembro, a qual blindou seus poderes perante a Justiça e desencadeou uma onda de protestos. O juiz, que em diferentes ocasiões expressou publicamente sua rejeição à ata de novembro, assegurou que desde que chegou à Vice-Presidência em agosto exerceu seus máximos esforços pelo interesse nacional e que sempre trabalhou sob os valores de "neutralidade, justiça, razão e liberdade". Pouco depois do anúncio de Meki, a televisão egípcia informava, segundo uma fonte da Presidência, sobre outra renúncia: a do presidente do Banco Central do Egito, Faruq El Okda, que acabou sendo desmentida pouco tempo depois por uma fonte do Conselho de Ministros. Apesar de a notícia ter sido desmentida, o jornal "Al Ahram" chegou a mencionar um novo nome para substituir El Okda, o do diretor do Banco Internacional Comercial, Hisham Ramiz, que, inclusive, já teria se reunido hoje com Mursi durante as consultas para escolha do novo presidente. O presidente da Comissão de Relações Internacionais da Associação para o Desenvolvimento dos Negócios Egípcios (EBDA, na sigla em inglês), Osama Farid, indicou à Agência Efe que "a nova Constituição não permite a renovação do mandato" de El Okda. Farid, cuja associação constitui um grupo de pressão vinculada à Irmandade Muçulmana, adiantou que provavelmente El Okda será substituído por Ramiz. EFE ms-ssa/fk (vídeo)
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