Internacional

12/12/2012 às 09h30 (Atualizado em 12/12/2012 às 10h37)

Satélite norte-coreano entrou em órbita, confirma governo

Apesar das críticas, país garante que prosseguirá com programa espacial

Reuters

com R7

TV sul-coreana exibe trajetória de foguete lançado pela Coreia do Norte nesta quarta-feira (12) JUNG YEON-JE / AFP

"O satélite entrou na órbita planejada", disse triunfalmente uma locutora da TV norte-coreana nesta quarta-feira (12), após o sucesso do lançamento de um foguete descrito por Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão como o teste de uma tecnologia que, no futuro, poderá ser usada para o lançamento de ogivas nucleares capazes de atingir alvos tão distantes quanto a área continental dos EUA.

Também nesta quarta-feira, a Coreia do Norte reafirmou seu "direito legítimo" de lançar foguetes com fins civis e que continuará com seu programa espacial, apesar das sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e das críticas de nações ocidentais e orientais.

"Pouco importa o que digam os outros, continuaremos exercendo nosso direito de lançar satélites", declarou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte.

O sucesso do lançamento reforça as credenciais do novo líder norte-coreano, Kim Jong-un, e amplia tensões do isolado Estado contra seus adversários.

ONU condena Coreia do Norte; Conselho de Segurança vai se reunir

O foguete foi lançado pouco antes 10h (23h de terça-feira em Brasília), segundo funcionários de defesa na Coreia do Sul e Japão, e ultrapassou facilmente a marca de um foguete anterior, lançado em abril, que voou por menos de dois minutos antes de cair.

O Comando Norte-Americano de Defesa Aeroespacial disse que o foguete posicionou um objeto que pareceu atingir a órbita. Foi a primeira vez que um órgão independente confirmou as afirmações norte-coreanas.

A Coreia do Norte louvou o lançamento como sendo uma homenagem aos três integrantes da dinastia Kim a governarem o país desde sua fundação, em 1948.

"Num momento em que uma grande saudade e reverência por Kim Jong-il permeiam todo o país, seus cientistas e técnicos brilhantemente realizaram seus comandos ao lançar um satélite científico e tecnológico em 2012, o ano que marca o centésimo aniversário do presidente Kim Il Sung [avô do atual governante]", disse a agência estatal de notícias KCNA.

"O satélite entrou na órbita planejada", disse triunfalmente uma locutora da TV norte-coreana AFP PHOTO / NORTH KOREAN TV

Especialistas nucleares afirmam que o país pode estar a alguns anos de desenvolver uma ogiva nuclear funcional, enquanto pode ter plutônio suficiente para produção de cerca de uma dezena de bombas nucleares.

A Coreia do Norte também tem enriquecido urânio, o que pode dar ao país uma segunda via para armas nucleares já que seu território possui grandes reservas naturais do mineral.

"Um lançamento bem sucedido pela Coreia do Norte coloca o país mais perto da capacidade de lançar um míssil armado", disse Denny Roy, integrante do Centro Oriente-Ocidente, no Havaí.

"Mas isso ainda exigirá uma arma que caiba no míssil e assegurar que ele tenha grau razoável de precisão. Os norte-coreanos provavelmente não têm ainda uma arma nuclear pequena o bastante para ser transportada por um míssil", acrescentou.

Pyongyang afirma que o desenvolvimento é parte de um programa nuclear civil, mas também tem afirmado que a Coreia do Norte é uma "potência nuclear".

"Provocação"

Washington qualificou o lançamento de quarta-feira de "ação provocativa", vendo nele uma violação das resoluções da ONU. O embaixador japonês na ONU convocou uma reunião do Conselho de Segurança. Mas diplomatas disseram que dificilmente haverá alguma medida mais dura, devido à oposição da China, única aliada de peso de Pyongyang.

"A comunidade internacional deve trabalhar de forma coordenada para enviar à Coreia do Norte uma mensagem clara de que suas violações das resoluções do Conselho de Segurança têm consequências", disse a Casa Branca em nota.

A China manifestou "profunda preocupação" antes do lançamento, que foi anunciado um dia depois de um funcionário chinês de alto escalão se reunir com Kim Jong-un em Pyongyang.

Na quarta-feira, Pequim adotou um tom contido, lamentando o lançamento, mas pedindo moderação em possíveis retaliações — conforme a política previamente adotada, que levou a China a na prática vetar sanções mais duras da ONU.

"A China acredita que a resposta do Conselho de Segurança deve ser cautelosa e modesta, proteger a situação geral pacífica e estável na península coreana, e evitar uma escalada da situação", disse o porta-voz da chancelaria, Hong Lei, a jornalistas.

Na semana passada, um assessor da presidência sul-coreana disse que dificilmente haverá qualquer ação da ONU, e que Seul espera dos seus aliados que endureçam unilateralmente as sanções à Coreia do Norte.

Em 2009, a Coreia do Norte disse ter realizado com sucesso o lançamento de um foguete semelhante, o que levou o Conselho de Segurança da ONU a reforçar sanções originalmente impostas em 2006, após o primeiro teste nuclear norte-coreano.

O país está proibido pela ONU de desenvolver tecnologias relacionadas a armas nucleares e mísseis balísticos, embora o jovem líder norte-coreano, Kim Jong-un, no poder há um ano, supostamente mantenha as políticas de prioridade às Forças Armadas, adotadas por seu falecido pai, Kim Jong-il.

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