24/12/2012 às 16h26 (Atualizado em 24/12/2012 às 16h26)
Venezuelanos celebram o Natal com Chávez ausente há duas semanas
Laura Barros.
Caracas, 24 dez (EFE).- Os venezuelanos celebram o Natal deste ano com seu presidente, Hugo Chávez, há duas semanas em Cuba e a incerteza sobre se a reaparição do câncer do governante causará mudanças políticas no país.
As celebrações para os venezuelanos estiveram marcadas pela recaída do presidente e pelos relatórios oficiais que dão conta de sua recuperação "progressiva" após a nova operação e rumores rapidamente desmentidos pelo próprio Governo.
Aos pedidos do vice-presidente, Nicolás Maduro, de orações para acompanhar o "comandante presidente" em sua "batalha pela vida" se somaram personalidades como o arcebispo de Caracas, Jorge Urosa, que hoje enviou uma "bênção especial" aos doentes.
Chávez viajou no dia 10 de dezembro a Cuba e durante sua ausência os venezuelanos aguardaram notícias sobre a operação, enquanto analistas e políticos formulam todo tipo de hipótese sobre os cenários que se abririam caso o governante não esteja no país no próximo dia 10 de janeiro, quando deve assumir um novo mandato.
O chefe de Estado venezuelano, no poder desde 1999, conquistou no pleito de 7 de outubro sua terceira reeleição consecutiva e deverá jurar em janeiro seu quarto período presidencial.
Ao anunciar, no dia 8 de dezembro, a aparição de novas "células malignas", o próprio Chávez mencionou a possibilidade de não poder assumir o cargo devido à operação e pediu ao povo que, se algo lhe acontecesse, apoiasse Maduro como seu sucessor.
Maduro, apoiado pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, liderou atos oficiais e assumiu a tarefa de orientar o chavismo, mas, ao mesmo tempo, descartou taxativamente que exista um Governo "interino".
"A Venezuela está em estado de suspensão", declarou à Agência Efe o analista político Carlos Romero, professor de Ciências Políticas da Universidade Central da Venezuela (UCV), que opinou que no país "pode acontecer qualquer coisa antes e depois de 10 de janeiro, inclusive que o presidente da República retorne e assuma".
Apesar de destacar que na ausência de Chávez se manteve "a ordem política" e "haja uma grande estabilidade", Romero admitiu que existe uma "grande incerteza", já que "realmente nenhum venezuelano sabe qual será o futuro do presidente".
O analista também concordou com Maduro que não existe um Governo "interino", já que este tem "funções de vice-presidente e algumas atribuições presidenciais mediante decreto".
Sobre o papel de Maduro e Cabello, os dois homens fortes dentro do chavismo, considerou que vieram "dividindo as tarefas" de Governo, com um vice-presidente encarregado da "tarefa institucional" e um titular do Parlamento à frente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e das Forças Armadas.
O presidente da empresa de pesquisas Hinterlaces, Oscar Schemel, assinalou, por sua parte, que a recidiva do câncer do presidente ocasionou um "desajuste emocional, sobretudo entre seus seguidores", uma "mistura de tristeza com temor", embora em sua ausência Maduro e Cabello tenham aparecido como "lideranças emergentes".
"Aquele líder que os defendia, que os protegia, que os tinha reivindicado, é vulnerável", apontou Schemel, observando que a doença "ocasiona uma repolarização" e reaviva o discurso forte do chavismo por "temor frente à ameaça de restauração da exclusão" e de "perseguição" caso percam o poder.
Nesse contexto, previu que a Venezuela pode passar "vários meses" de "muita incerteza" e lembrou que este é um país "onde o presidente era tudo: era o líder, era o condutor (...), o que tinha o discurso mais importante, mais influente". EFE
lb/rsd
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