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Internacional

22/12/2012 às 14h04 (Atualizado em 22/12/2012 às 14h22)

Vice-presidente do Egito renuncia durante referendo constitucional

Mahmoud Mekky teve um papel importante na formação de uma "unidade nacional" após a Primavera Árabe

Do R7, com Reuters e AFP

O vice-presidente egípcio, Mahmoud Mekki, que renunciou neste sábado REUTERS/Egyptian Presidency/Handout/Files

O vice-presidente egípcio, Mahmoud Mekki, anunciou neste sábado (22) a sua demissão, no momento em que os egípcios votam em um referendo sobre o polêmico projeto de Constituição em plena crise política.

"Eu percebi há algum tempo que a natureza do trabalho político não se encaixa a minha formação profissional como um juiz", indicou em um comunicado obtido pela AFP.

Mekky assumiu um papel de liderança na organização das reuniões de "unidade nacional" solicitadas pelo presidente Mohamed Mursi, embora os principais políticos da oposição tenham se mantido afastados.

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Referendo constitucional

Os egípcios votam neste sábado na segunda e última fase do referendo sobre o projeto de Constituição defendido pelos islamitas, e que parece próximo de ser adotado, apesar de uma forte campanha da oposição e uma profunda crise política.

Sinal da tensão persistente, partidários e opositores do projeto de Constituição entraram em confronto na sexta-feira (21) em Alexandria, a segunda maior cidade do país, deixando dezenas de feridos.

Filas se formaram em frente a várias escolas das 17 províncias que votam neste sábado antes mesmo do início da votação, pouco depois das 8h00 (4h00 no horário de Brasília).

"Eu quero votar 'sim', porque o Egito precisa de uma Constituição para se tornar estável", declarou à AFP Mohamed Hamza, um motorista de 49 anos, que esperava em frente a um local de voto em Guizé.

Não muito longe dali, Sayyed Mustafá, um contador de 25 anos, afirmou o contrário que "com certeza votaria 'não', porque esta Constituição não respeita os egípcios, ela esquece que no Egito aconteceu uma revolução. Nós merecemos mais".

Como na semana passada, a Comissão Eleitoral anunciou que irá estender a votação em quatro horas, até 23h00 locais (19h00 no horário de Brasília), para atender o fluxo de eleitores. Cerca de 51 milhões de egípcios foram convocados para ir às urnas nas duas fases.

A Comissão Eleitoral também indicou que anunciará os resultados oficias "dois dias após o final da votação".

De acordo com dados não oficiais, o "sim" venceu com quase 57% dos votos a primeira fase da votação, no sábado passado, o que sugere uma aprovação prévia do projeto de Constituição a nível nacional.

A opção de dividir o país em duas zonas de votação foi tomada a fim de evitar o boicote de muitos juízes encarregados de supervisionar a eleição, em conflito com o presidente islâmico Mohamed Mursi, que eles acusam de atentar contra a independência da justiça.

"Risco de uma islamização"

Para a presidência, a adoção de uma nova Constituição traria ao país uma estabilidade institucional, concluindo assim a transição tumultuada que vive o Egito desde a queda do presidente autocrata Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

A oposição, composta por movimentos de esquerda e liberais, considera que o texto abre caminho para a islamização do país e que tem graves lacunas em termos de proteção das liberdades. Ela denuncia numerosas "fraudes e irregularidades" na primeira fase do referendo.

Este referendo foi precedido por várias semanas de protestos que, ocasionalmente, degeneraram em confrontos entre opositores e partidários do presidente Mohamed Mursi e a Irmandade Muçulmana, que defendem a proposta de Constituição.

No início de dezembro, oito pessoas foram mortas em confrontos entre pró e anti-Mursi nos arredores do palácio presidencial no Cairo. Sexta-feira, a polícia precisou usar gás lacrimogêneo para dispersar partidários e opositores do projeto em Alexandria.

Se o projeto for aprovado, eleições legislativas estão previstas para substituir a Assembleia dentro de dois meses.

Mas de acordo com analistas, a adoção de uma nova Constituição não deve acabar com a crise, já que as divisões são extremamente profundas entre os dois campos sobre a visão da sociedade egípcia na era pós-Mubarak.

Mohamed ElBaradei, chefe da FNS (Frente Nacional de Salvação), a principal coalizão de oposição, considera que "o país está à beira da falência".

O mufti do Egito, Ali Gomaa, uma das maiores autoridades muçulmanas do país, convocou, por sua vez, todas as forças políticas a "aceitar os resultados do referendo (...) e colocar o interesse da Egito acima de todas as considerações partidárias ".

Este referendo ocorre em um contexto de grave crise econômica, e as incertezas políticas já provocaram o adiamento de um empréstimo de 4,8 bilhões de dólares do FMI (Fundo Monetário Internacional).

 

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