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Charanga de alunos de direito da UFMG será investigada por músicas agressivas

Comissão que apura racismo em trote pode punir integrantes da banda

Enzo Menezes, do R7 MG | 24/03/2013 às 00h30
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A charanga formada por estudantes do curso de direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) será investigada pela comissão criada para apurar práticas de apologia ao racismo e ao nazismo durante um trote no centro acadêmico da instituição.

O grupo, formado por homens e mulheres, ensaia dentro da faculdade e se apresenta em calouradas e demais eventos. A charanga toca músicas com letras agressivas a mulheres que cursam direito em escolas particulares de Belo Horizonte. Além da conotação sexual com palavras de baixo calão, há ofensas a negros e pessoas obesas. “Na Milton campos só tem 'veado', tem sim” ou “Essa sua burrice não vai da pra exorcizar, paga, PUC”; ou ainda uma intitulada “Casa da Cadela”, com teor impublicável.

Caloura acorrentada em trote da UFMG causa revolta

A comissão, formada pelos professores Hermes Vilchez Guerrero, Maria Tereza Fonseca Dias e Yaska Fernanda de Lima Santos, recebeu a denúncia por meio do Gudds (Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual), formado por militantes de direitos humanos de diversos cursos.

Denúncia parte dos próprios alunos

Um aluno do quarto período de direito, que prefere não se identificar, afirma que a diretoria da Faculdade autoriza os ensaios e seria, de certa forma, conivente com os temas preconceituosos.

— [As músicas] são tocadas no trote e na calourada da Faculdade de Direito. O ensaio da Charanga, grupo que as toca e as faz, acontece no salão de eventos da faculdade, no auditório do segundo andar, com autorização da diretoria.

Reitoria alega desconhecimento

Procurada pela reportagem, a Faculdade de Direito não se manifestou. Por meio da assessoria de imprensa, o reitor da UFMG, Clélio Campolina, afirmou desconhecer o tom preconceituoso do grupo, mas que a denúncia apresentada será devidamente apurada. O coordenador geral do DCE, João Vitor Rodrigues, aluno do curso de economia, afirma que a entidade também não conhece a prática.

— A nossa gestão começou há um mês, não recebemos denúncia alguma nesse sentido. Essa questão do preconceito é maior que a universidade, existe aqui dentro porque existe foram dela também. Mas não podemos admitir práticas racistas, não há espaço para isso.

Apesar das manifestações, há documentos disponíveis na internet pedindo providências sobre a charanga do cireito. Uma das notas, divulgada em abril de 2012 pelos diretórios acadêmicos do Instituto de ciências biológicas e de letras, repudia as músicas e pede intervenção da reitoria.

— Tais músicas exaltam a inteligência dos estudantes da UFMG e menosprezam a inteligência dos alunos das faculdades privadas. Exigimos que a reitoria, que há muito tempo vem sendo omissa e, portanto, conivente com essas atitudes, após o posicionamento formal, responsabilize de fato os devidos opressores.

Curiosamente, após a divulgação das imagens racistas do trote, algumas páginas com as letras das músicas executadas pela charanga e vídeos com as apresentações do grupo foram deletadas da internet, assim como perfis veteranos envolvidos no caso.

 
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