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Território livre para aborto: remédios proibidos são vendidos a R$ 100 na internet

Gestantes atestam acesso fácil a medicamentos, enquanto traficantes expandem negócio

Enzo Menezes / R7 MG | 07/04/2013 às 00h30
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Tereza (nome fictício), casada há nove anos e mãe de duas crianças de 3 e 8 anos, engravidou de um amante durante uma viagem do marido no fim de 2012. Orientada por uma amiga, decidiu abortar aos três meses de gestação. Comprou na internet um kit com cinco comprimidos proibidos no Brasil, apostila, seringa e anti-inflamatório por R$ 350.

— Tomei e inseri os comprimidos e não senti nada. Após três horas, tive uma dor muito forte, parecida com a dor do parto. Quando me levantei, havia muito sangue. Tive hemorragia e muita cólica, tanto que precisei procurar um hospital para fazer a curetagem.

Assim como Tereza, milhares de mulheres apelam para a internet para conseguir medicamentos que provocam a expulsão do feto. Com medo de serem descobertas em clínicas para aborto - organizado por quadrilhas como a desmontada pelo Ministério Público há duas semanas em BH - usam o anonimato da internet para ter acesso a medicamentos proibidos no país.

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Enquanto processos como curetagem, indução e sucção custam entre R$ 3.000 e R$ 8.000, de acordo com a idade do feto, um coquetel com três medicamentos na internet sai até dez vezes mais barato. Os vendedores nem tentam se esconder. Com a promessa de sigilo, explicam como funciona o procedimento, dão dicas para evitar remédios falsos e chegam a afirmar que o processo é seguro e impossível de ser flagrado pela polícia. O coquetel é composto por Mifepristona (RU-486), Misoprostol (Cytotec), proibidos no país, Methergin e água inglesa.

Vendedores agem livremente

A reportagem do R7 conversou com setes destes vendedores, que garantem a entrega do produto em envelopes discretos pelo correio. Somente um aceitou realizar a venda via motoboy. Em Belo Horizonte, uma vendedora identificada como Ana Maria não se importa em divulgar o telefone em um site de classificados.

Fabio Perrone, de São Paulo, enviou uma lista com depoimentos e emails de 195 supostos clientes satisfeitos nos últimos 12 meses para convencer sobre a segurança do processo. Ao menos 42 deles haviam comprado o produto em 2012 - lucro de pelo menos R$ 21 mil.

— Por causa da fiscalização dos Correios e para evitar que você tenha problemas com a polícia, o comprimido é bem embalado, para descaracterizar o comprimido. Caso ocorra hemorragia ou septicemia, "basta" fazer uma curetagem em qualquer clínica. Aconteceu o aborto, ótimo.

Gestantes detalham aborto

Mulheres que se submeteram a abortos caseiros revelam o sofrimento e contestam as facilidades descritas pelos traficantes. Thaís*  se assustou com o sangramento.

— Tomei pela segunda vez, sangrei uma semana inteira.

Há quem tente até mudar a descrição da fatura do cartão para esconder o aborto, como Helen*.

— Eu peguei o cartão da mãe de um amigo, você pode colocar como se tivesse sido uma compra de pneu de carro para aparecer na fatura?

*Os nomes foram trocados para preservar o anonimato das fontes

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