PF nega irregularidades em escutas de investigações sobre desastre de Mariana (MG)

Justiça Federal suspendeu processo após defesa alegar irregularidades

Tragédia destruiu casas e deixou 19 mortos
Tragédia destruiu casas e deixou 19 mortos Flávio Freire

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (10), a Polícia Federal em Minas Gerais negou haver qualquer irregularidade nas escutas telefônicas de dirigentes da Samarco realizadas no inquérito que apura a responsabilidade pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. Na última semana, a Justiça Federal em Minas Gerais suspendeu o processo que transformou os acusados no caso em réus. A decisão foi tomada baseada em pedidos da defesa de dois dos investigados. Eles alegam que as escutas foram feitas de forma ilegal. O R7 tenta contato com a Samarco.

O pedido de suspensão da ação foi feito pelis réus Ricardo Vescovi de Aragão e Kleber Luiz de Mendonça Terra. eles afirmam que os dados obtidos com a quebra de sigilo telefônico ultrapassaram o período judicialmente autorizado. Além disso, eles afirmam que conversas em chats e e-mails dos envolvidos fora do prazo requerido pela polícia durante a apuração do caso também foram analisadas, o que, segundo as defesas, desrespeitaria a privacidade dos acusados.

Questionado, o Ministério Público sugeriu ao juiz que fossem oficiadas as companhias telefônicas para que “esclareçam os períodos de efetivo monitoramento de cada terminal”.

“Como se nota, as defesas dos réus Ricardo Vescovi de Aragão e Kleber Luiz de Mendonça Terra suscitaram duas graves questões que podem implicar na anulação do processo desde o início”, escreveu o juiz na sentença.

“Sendo assim, a solicitação do MPF deve ser acatada para que, a partir das informações prestadas pelas companhias telefônicas, se possa aquilatar se a interceptação telefônica se deu nos moldes determinados por este juízo”, prosseguiu Queiroz Ferreira.