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Publicado em 14/12/2012 às 18h47 (Atualizado em 14/12/2012 às 18h47)
Ação da PF prende bicheiro, derruba senador e deixa diversas autoridades sob suspeita
Cachoeira mantinha uma vasta rede de contatos com agentes públicos e privados
Do R7
Alvo dos holofotes em 2004, quando teve seu nome envolvido no primeiro escândalo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o bicheiro Carlinhos Cachoeira voltou a ser destaque no noticiário político de todo o País este ano. No dia 29 de fevereiro, ele foi preso junto com outras 34 pessoas quando a Polícia Federal deflagrou a operação Monte Carlo, que descobriu um grande esquema de jogo do bicho e de exploração de máquinas caça-níqueis em quatro Estados e no Distrito Federal.
Esse foi apenas o início de um escândalo que acabou respingando em importantes autoridades públicas, empresas privadas e provocou a segunda cassação do mandato de um senador na história do País. No dia 11 de julho, Demóstenes Torres (sem partido-GO) perdeu sua vaga na Casa por quebra de decoro parlamentar e está inelegível até 2027.
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Demóstenes é suspeito de participar do suposto esquema de exploração de jogos ilegais comandado por Cachoeira. Gravações feitas pela PF com o aval da Justiça revelaram a ligação entre o senador e o bicheiro e apontaram, inclusive, que Demóstenes recebia dinheiro de Cachoeira e atuava em favor de seus interesses no Senado. O ex-parlamentar, no entanto, sempre negou as acusações e afirmou que era apenas amigo de Cachoeira.
Em abril, foi criada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista para investigar as relações de Cachoeira com agentes públicos e privados. Quando os parlamentares receberam o contraventor, no dia 22 de maio, ele usou o direito de ficar calado e a sessão de duas horas e meia se resumiu a perguntas sem respostas.
Suspeitos
O relatório da CPI apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG), no dia 21 de novembro, pedia o indiciamento de 46 pessoas, entre elas o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Escutas autorizadas judicialmente mostraram o contraventor com acesso a integrantes da cúpula do governo goiano e até mesmo como pagador de contas pessoais de secretários de Perillo. Cachoeira chegou a receber uma ligação do governador parabenizando-o pelo aniversário.
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Outros alvos de pedidos de indiciamento foram ex-assessores de Perillo, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT) e o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish. Uma das maiores empreiteiras do País e grande executora do PAC (programa de Aceleração do Crescimento), a Delta é suspeita de ter encomendado notas frias para dar fachada legal a pagamentos feitos à organização de Cachoeira.
Cunha chegou também a colocar no relatório o pedido de indiciamento de cinco jornalistas, entre eles do diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, Policarpo Jr. De acordo com o texto, o jornalista manteve "constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa, Carlos Cachoeira". Entretanto, os nomes – assim como o do procurador-geral da República, Roberto Gurgel – foram retirados do texto antes do início da leitura do relatório.
Prisão X liberdade
Depois de nove meses preso preventivamente, Cachoeira foi liberado do dia 21 de novembro e voltou para Goiânia (GO). No dia 3 de dezembro, o TRF 1 (Tribunal Regional Federal da primeira região) em Brasília julgou o habeas corpus que o libertou e decidiu mantê-lo em liberdade.
Mas, para a surpresa de seu advogado, Nabor Bulhões, uma sentença proferida pelo juiz da 11ª Vara Federal, Alderico Rocha Santos, mandou Cachoeira de volta para a cadeia e o condenou o bicheiro a 39 anos de prisão pelos crimes de peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha.
Mais uma vez, no dia 11 de dezembro, a Justiça voltou atrás e colocou Cachoeira em liberdade por entender que não havia motivos para mantê-lo preso.











