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Vôlei feminino novamente supera o masculino

Assim como em Pequim, meninas trazem ouro para o Brasil e rapazes, a prata

Do R7

Houve um momento durante as Olimpíadas de Londres em que dizer que a seleção brasileira feminina de vôlei teria um resultado melhor que sua similar masculina soaria como devaneio. Pois, numa dessas histórias malucas que o esporte proporciona, foi justamente isto o que aconteceu: enquanto as meninas comandadas por José Roberto Guimarães conquistaram o bicampeonato olímpico, o time de Bernardinho teve que se conformar com a segunda prata consecutiva.

Mas, na Inglaterra, os enredos destas campanhas foram bem diferentes dos vistos em Pequim. Vamos começar pelas mulheres, que na China só haviam perdido um set durante toda a competição: ainda sob o impacto do corte de última hora da atacante Mari e da levantadora Fabíola, o time começou os Jogos de maneira extremamente irregular, com direito a uma derrota por 3 sets a 0 para a Coreia do Sul, freguesa de muitos anos. O vexame de uma eliminação precoce só não aconteceu porque os Estados Unidos optaram pela honestidade, jogaram com tudo e venceram a Turquia na última partida da primeira fase. Se perdessem, as brasileiras estariam fora da disputa.

O “susto” serviu para acordar o Brasil, que teria um difícil duelo contra a arquirrival Rússia, bicampeã mundial, nas quartas de final. E, em um dos jogos mais emocionantes da história das Olimpíadas, o time brasileiro salvou seis match points antes de fechar a partida no tie-break. Era o fim definitivo da pecha de “amarelonas”, iniciada em Atenas 2004 e reforçada pelas duas decisões de Mundiais que o time verde-amarelo perdeu para as russas.
Embaladas, as brasileiras passaram pelo Japão nas semifinais com relativa tranquilidade. Na decisão, contra as favoritas americanas, a equipe começou tomando uma surra no primeiro set: 25-11. No intervalo, porém, Zé Roberto decidiu mudar a estratégia e as atletas passaram a sacar na líbero Nicole Davis, que não resistiu à pressão e começou a errar muito. Com isso, o Brasil cresceu no jogo, alcançou a virada e conquistou um bicampeonato olímpico que, por certos momentos, parecia ser impossível.

Entre os homens, a jornada londrina foi bem mais tranquila. Depois de se classificar com tranquilidade para o mata-mata, o Brasil derrotou com facilidade a Argentina nas quartas de final. Paralelamente, os fortes times da Polônia e dos Estados Unidos foram eliminados nesta mesma fase, deixando o caminho mais livre. Com outra vitória incontestável, desta vez sobre a Itália, a equipe de Bernardinho chegou como favorita à decisão diante da Rússia, adversário que já havia sido batido em sets diretos no início do torneio.

E este favoritismo foi confirmado até a primeira metade do terceiro set. Jogando melhor, o Brasil chegou a ter dois match points quando vencia a partida por 2 sets a 0. Só que as oportunidades foram desperdiçadas e aí passou a brilhar a estrela do técnico Vladimir Alenko, que alterou a tática russa e, deslocando o central Muserskiy para a posição de oposto, mudou os rumos da partida.

Até a alteração, o jogador havia feito apenas quatro pontos. Praticamente “imparável” depois da mudança, ele terminou o duelo com 31. Apesar de o fim ter sido o mesmo que em Pequim, quando disputou a decisão contra os Estados Unidos, ao menos desta vez o Brasil teve chances reais de ganhar a decisão. Por fim, Londres ainda marcou a despedida de alguns nomes da geração de Bernardinho, como Giba, Ricardinho e Rodrigão.

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