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Brasília completa 52 anos com crises na área de segurança pública

Criada para ser funcional, a capital do País cresceu com belezas e problemas

Gustavo Frasão, do R7

Saulo Jansen morreu em abril, quando lanchava em um restaurante com a família

No dia 21 de abril de 2012, Brasília completou 52 anos de existência com crises na área de segurança pública. Criada para ser funcional, a capital do País cresceu com belezas e problemas, transformando-se de exemplo a palco de escândalos políticos, violência e corrupções. Como presente de aniversário, o portal R7, da Rede Record, estreou uma página dedicada exclusivamente às notícias do Distrito Federal.

Mas durante todo o ano de 2012, a capital federal não teve muitos motivos para comemorar. Os problemas na área de segurança começaram a ficar mais evidentes a partir de fevereiro, época em que a PMDF (Polícia Militar do DF) e o CBM (Corpo de Bombeiros Militar) iniciaram a operação padrão, mais conhecida como "Tartaruga", que é um estado ou aviso de greve. Quando esses movimentos acontecem a polícia não chega a paralisar 100% dos serviços, mas trabalha a passos lentos, demorando para atender ocorrências e agindo apenas nos casos considerados mais graves, como homicídios.

Por conta dessa redução nas atividades de segurança pública, um servidor do Bacen (Banco Central do Brasil) morreu ao ir confraternizar o feriado de Páscoa com a família em uma casa de sucos da Asa Norte, área central de Brasília, após ser atingido por um tiro. Dias depois, um policial militar teria feito um agradecimento no perfil de uma rede social ao autor desse crime dizendo que esta ação teria dado mais força ao movimento [operação padrão], o que poderia chamar a atenção do GDF (Governo do Distrito Federal), forçando-o a negociar com a categoria.

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Na época, a SSP-DF (Secretaria de Segurança do DF) chegou a dizer que a população não tinha sido afetada diretamente porque o efetivo de militares nas ruas teria permanecido o mesmo. No entanto, durante este período [operação padrão], o índice de criminalidade na capital do Brasil aumentou significativamente, o que levou à demissão do então comandante geral da PMDF Sebastião Gouveia.

Em agosto, foi a vez da PCDF (Polícia Civil do DF) iniciar a greve. Entre as principais reinvidicações estavam reajuste salarial, reestruturação do plano de carreira, aumento do efetivo, construção de novas delegacias, nomeação de agentes penitenciários e plano de saúde subsidiário.

Esta foi a maior paralisação da história da categoria e chegou ao fim porque, depois de 81 dias, o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) notificou o Sinpol-DF (Sindicato dos Policiais Civis do DF), determinando o retorno dos trabalhos imediatamente sob pena de, em caso de descumprimento, corte de ponto e multa diária estipulada no valor de R$ 100 mil.

Reflexos na segurança pública

Como reflexo da Operação Tartaruga da PMDF e da greve da PCDF, o número de sequestros-relâmpagos aumentou 26% de janeiro a setembro, se comparado ao mesmo período do ano passado. Foram registradas 537 ocorrências contra 425 de 2011.

Para tentar controlar a violência e diminuir o número de sequestros-relâmpagos no Distrito Federal, a Força Nacional de Segurança foi acionada. Eles iniciaram as atividades em setembro e montaram blitz em 39 pontos estratégicos do DF e das regiões do Entorno, com um efetivo de 133 homens, para reforçar a segurança pública na capital federal.

Um outro problema mostrado pela reportagem do R7DF no mês de novembro, é que as passagens subterrâneas projetadas por Lúcio Costa para proteger os pedestres do trânsito do Eixo Rodoviário - via expressa que forma as 'asas' do mapa de Brasília - nunca atraíram os moradores da capital federal. Estreitas, escuras e raramente bem conservadas, as passagens causam tanto medo que os pedestres preferem arriscar a vida atravessando as 14 pistas expressas (se somados eixão e eixinhos) a ter que entrar nos corredores que mais parecem túneis de terror e , mesmo após a reforma de 11 das 16 passagebs subterrâneas, os pedestres ainda preferem cruzar o Eixão a se arriscar entre os 80 mil veículos que passam as pistas por todos os dias.

O problema acontece, também, porque mesmo recebendo os maiores salários da categoria do Brasil, a PMDF (Polícia Militar do DF) não consegue fazer o policiamento dessas passarelas subterrâneas. Atualmente, o piso salarial da categoria é de R$ 4.700, mas o trabalho de segurança é feito, voluntariamente e sob esquema de hora extra, em apenas duas das 16 passarelas.

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