Advogado de Cabral pede que juiz se declare suspeito de julgar caso das joias

Entrevista de Marcelo Bretas sobre o caso a jornal teria motivado o pedido

MPF investiga compras de joias pela família de Sérgio Cabral (PMDB)
MPF investiga compras de joias pela família de Sérgio Cabral (PMDB) FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO/ARQUIVO

O advogado Rodrigo Roca, que defende o ex-governador do Rio no processo que investiga a compra de joias pela família de Cabral na rede de joalherias H.Stern, apresentou à Justiça Federal pedido para que o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, se declare suspeito para julgar o caso, denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) como desdobramento da Operação Calicute.

Para o advogado, Bretas já adiantou sua decisão quando afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que ainda tem dúvida sobre o processo referente às joias:

— Nessa questão das joias existe uma dúvida ainda, eu ainda não decidi a respeito, se a joia era propina e ostentação ou se era lavagem de dinheiro — afirmou Bretas ao jornal.

— Ora, quando ele fez essa afirmação, a defesa ainda não havia se manifestado uma única vez no processo. Mesmo se isso tivesse acontecido, o magistrado não deveria ter feito nenhum comentário, porque o momento de um juiz se manifestar sobre um processo é por meio da sentença. Então, ele fez um prejulgamento, antecipou a sentença, o que é proibido pela Lei Orgânica da Magistratura — afirma Roca.

O advogado apresentou o pedido na última sexta-feira (21), junto com uma resposta preliminar, primeira manifestação da defesa nesse processo.

Agora caberá a Bretas se manifestar oficialmente sobre a suspeição.

— Se ele acatar nosso pedido, se afastará do julgamento do caso e será indicado um substituto. Se não, o pedido será enviado para o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que vai julgá-lo — explica o advogado de Cabral.

Procurado pela reportagem, o juiz Marcelo Bretas não havia se manifestado sobre o caso até as 18h30 desta segunda-feira (24).