Justiça revoga prisão de PMs flagrados executando suspeitos em Acari, zona norte do Rio

Para juiz, liberdade de policiais não ameaça as investigações

Do R7

PMs atiram em suspeitos em frente à escola de Maria Eduarda Reprodução Record TV

Os dois policiais militares filmados atirando em suspeitos, em Acari, zona norte do Rio, vão responder ao processo em liberdade. O juiz Alexandre Abrahão, do 3º Tribunal do Júri, atendeu a sugestão do MP (Ministério Público) e revogou a prisão dos militares do Batalhão de Irajá (41º BPM). Na mesma decisão, também acolhendo parecer da promotoria, o magistrado decidiu substituir a prisão preventiva pela aplicação de medidas cautelares. Segundo determinação da Justiça, os PMs terão que ser transferidos para outra unidade policial, onde deverão exercer atividades administrativas e desarmados, além do comparecimento mensal em juízo.

Entre as medidas cautelares proposta, está a proibição de os PMs frequentarem locais públicos, como bares e festas. Fábio de Barros Dias e David Gomes Centeio também não poderão transitar na área de atuação do 41º Batalhão, mantendo-se afastados de parentes das vítimas ou testemunhas do fato. Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio informou que as medidas serão comunicadas ao comando da Polícia Militar para o seu cumprimento.

Um vídeo, gravado no dia 30 de março, mostra o cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes Centeio abrindo fogo contra Júlio César Ferreira de Jesus e Alexandre dos Santos Albuquerque, que morreram. Nas imagens, os suspeitos já estão feridos e aparecem caídos no chão, em frente à Escola Municipal Jornalista Escritor Daniel Piza, quando são alvejados a queima roupa pelos militares. A ação vitimou a estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, que foi atingida por três disparos e também morreu. Os dois PMs alegaram que atiraram em Júlio César e Alexandre porque eles estavam armados e esboçaram reação.

A revogação da prisão preventiva determinada pelo juiz Alexandre Abrahão acolhe a tese MP de que a liberdade dos PMs não compromete o andamento das investigações. O parecer destacou ainda que os policiais compareceram espontaneamente à Delegacia de Homicídios para dar as versões sobre o envolvimento deles no caso. Além disso, mantiveram o local resguardado para exame pericial.

Até a noite desta quarta-feira (19), cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes seguiam presos no BEP (Batalhão Especial Prisional), em Niterói, segundo informações da Polícia Militar.

Caso Maria Eduarda

Para o advogado da família de Maria Eduarda, morta durante o confronto próximo a escola Daniel Piza, a revogação da prisão preventiva dos PMs não interfere no caso, nem ação que a família move contra o Estado. Segundo João Tancredo, eles compreende a necessidade dos policiais serem postos em liberdade:

"Eles têm certeza que os policiais não tiveram a intenção de atingir a Maria Eduarda, eles são responsáveis e inconsequentes ao dispararem contra a escola, mas com certeza não tiveram a intenção", disse em nota.

Porém, ainda de acordo com o advogado, a família discorda das palavras do Juiz Alexandre Abraão por entenderem que o argumento posto na decisão acaba prestigiando, e até estimulando, a violência dos policiais contra os moradores das periferias.

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