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27 de Maio de 2012

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Deputado compara condições de
bombeiros presos a regime nazista

Protógenes diz que situação dos presos era precária

Evelyn Moraes, do R7 | 10/06/2011 às 12h53
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Após anunciar que a Justiça mandou soltar os mais de 400 bombeiros presos no último sábado (4) por invadir o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro, o deputado Protógenes Queirós (PC do B-SP), afirmou que as condições do local onde eles estavam sendo mantidos eram muito precárias.

- As pessoas foram colocadas no local em condições que se assemelhavam ao regime nazista. Alguns bombeiros já apresentavam quadro de pneumonia. Encontramos uma bombeira presa da área da saúde que estava sendo mantida como uma criminosa.

O deputado Protógenes informou ainda que os bombeiros serão soltos ainda nesta sexta-feira (10), mas vai demorar.

De acordo com o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), todos receberam a notícia com muita alegria e sentimento de Justiça. Para ele, seria perigoso mantê-los presos por mais tempo. 

- A manutenção na prisão poderia resultar em confrontos e problemas maiores. O objetivo agora é conseguir a anistia no Congresso Nacional.

Os moradores da região estão sobre o muro do quartel observando a movimentação. Impedidos de entrar, os familiares aguardam do lado de fora a saída dos militares.

Um pedido de liberdade foi feito pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Doutor Aluizio (PV-RJ) e aceito pelo desembargador Claudio Brandão de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio, nesta manhã.



Na decisão, Oliveira alega que "convencido de que a manutenção da prisão não mais se justifica, defiro a liminar requerida e concedo a liberdade provisória aos militares presos no episódio mencionado na petição inicial e que constam na relação"

Os deputados fizeram o pedido ainda durante a madrugada, mas a decisão só foi concedida às 9h55.

Entenda o caso

Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.

A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Acompanhe a cobertura completa da crise

Mural: dê a sua opinião sobre o caso

Veja o momento que o Bope invade o quartel

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.

Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.

Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.

Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007.

Pressionado por dezenas de protestos e diante da grande repercussão do caso, na quinta-feira (9), o governador anunciou aumento de 5,58 % nos salários de bombeiros, policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. Para isso será antecipado de dezembro para julho os reajustes que já eram previstos. Ele ainda anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil e nomeou o comandante Simões como titular da pasta.

Os bombeiros presos foram autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão. Apesar das baixas, o comando-geral do Corpo de Bombeiros informou que a rotina de atendimento à população está mantida e que os substitutos dos bombeiros presos assumiram seus postos.

Assista ao vídeo:


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