Márcia Martins diz que tragédia em Santa Maria a fez reviver incêndio do Gran Circo
Do R7, com BBC | 04/02/2013 às 13h24O espetáculo ainda não tinha terminado quando a menina Márcia Martins, então com oito anos, deu a mão ao avô para deixar o circo. A mania do homem - de sair mais cedo de lugares com grande aglomeração de pessoas - salvou a menina do maior incêndio da história do Brasil.
— Qualquer um que não morreu naquele lugar, que sobreviveu a uma tragédia, vai ter uma marca, que não é aparente, mas que precisa ser tratada também.
Na tragédia em 1961, Márcia perdeu o avô e o pai, este pela mesma razão que motivou muitas mortes Santa Maria, a intoxicação por fumaça. O incêndio no Gran Circo deixou um saldo de 503 pessoas mortas, 70% das quais crianças. O irmão de Márcia, porém, sobreviveu.
A professora diz que por muitos anos ela e o irmão tiveram que conviver com "o nó na cabeça" provocado pelo incêndio. Ela buscou ajuda de psicólogos.
Aos 59 anos, Márcia tem três filhos e já é avó. Ela lembra que, quanto teve o primeiro filho, chorou muito, uma reação de quem enfrentou anos de dor e se via diante de uma enorme e enfim permitida alegria.
— Quando você sobrevive a uma tragédia como essas há muita culpa e incerteza. Pode ser que uma pessoa tenha recursos internos para enfrentar sem a ajuda de um profissional (psicólogo). Eu acho difícil.
Aposentada como professora de inglês da Escola Naval, atualmente Márcia é coordenadora do curso online de formação de oficiais da Marinha.
— Nunca chorei tanto em minha vida como naquele domingo (27 de janeiro de 2013). Porque quando a tragédia do circo ocorreu, eu não chorei tanto assim.
Falar à BBC sobre seu caso e sobre as emoções que o incêndio na boate Kiss trouxeram provocou alívio, diz.
— Eu precisava falar sobre isso com a cabeça que tenho hoje, disse, sem esconder a emoção.
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