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25 de Outubro de 2014

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Água do rio Paraíba invade Cambuci e moradores
usam barco para chegar ao único hospital da cidade

Estrada que liga Cambuci a São Fidélis tem três pontos de alagamento

Cláudia Alcantara, do R7 em Cambuci e São Fidélis | 10/01/2012 às 17h58

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Moradores de Cambuci, no norte fluminense, precisavam usar um barco do Corpo de Bombeiros para chegar ao único hospital da cidade nesta terça-feira (10). A água do rio Paraíba do Sul invadiu o município no início da noite de segunda-feira (9), depois que a represa da ilha dos Pombos, no Carmo, na região serrana do Estado, aumentou a vazão de água de 700 m³ por segundo para 3.100 m³. Em algumas ruas, no bairro do centro, a água chegou a 1 m de altura.

Veja fotos da enchente em Cambuci

Só na manhã desta terça-feira, os bombeiros transportaram sete pacientes.

Veja imagens das cidades alagadas

Dique rompe em Cardoso Moreira e deixa 2.000 fora de casa

A dona de casa Giselda de Oliveira, de 53 anos, preferiu não esperar o barco. Ela foi visitar a nora que está internada há uma semana no Hospital Municipal Moacir Azevedo, o único da cidade, e preferiu enfrentar a água.

- Tenho medo de pegar uma doença, uma hepatite, esquistossomose. Mas tenho que ir ver minha nora, ela foi atropelada na semana passada.

De acordo com o coordenador de Defesa Civil de Cambuci, Christiano Barbirato, esta foi a segunda enchente na cidade desde a última terça-feira (3). O município está entre os nove que decretaram estado de emergência.

- Há uma semana, uma enxurrada atingiu 20 famílias na área rural. Agora estamos com 300 desalojados e 20 desabrigados. As áreas mais afetadas pela cheia foram o distrito de Flexeiros, Funil e Três Irmãos, além do centro da cidade.

Transbordamento

Na tarde desta terça-feira, o nível do rio Paraíba estava 50 cm acima do normal. O comandante do Corpo de Bombeiros na região, Capitão Luiz Cláudio Oliveira, explicou que além de ficar alto o rio cresceu para os lados.

- O Paraíba invadiu pelo menos uns 15 m de cada lado. Mas agora a tendência é que comece a diminuir. Estamos monitorando o volume da vazão na represa de Carmo a cada duas horas.

A cheia do Paraíba também atingiu as estradas da região. A rodovia que liga Cambuci a São Fidélis (RJ-194) tem pelo menos três pontos de alagamentos. Em um deles a água alcançava a porta do carro da equipe do R7 e da Rede Record.

A entrada para Cambuci pelo bairro Floresta estava interditado nesta terça-feira. Para chegar lá só por um caminho de terra de pista única. Guardas municipais controlavam o acesso para que passasse um carro de cada vez.

São Fidélis    

Em São Fidélis, 600 pessoas foram afetadas pela cheia, 283 delas estão desalojadas e outras 93 desabrigadas. Quase 10 ruas do centro do município foram interditadas nesta terça-feira por estarem alagadas impedindo a passagem dos carros. Os distritos mais atingidos foram Ipuca, Angelim e Pureza.

A água começou a atingir o município na noite de segunda-feira. Segundo o secretario de Defesa Civil de São Fidélis, Paulo Roberto Laje, na manhã desta terça, o rio Paraíba já estava quase 60 cm acima do nível de transbordamento e a expectativa é que subisse ainda mais até quarta-feira (11).

- O número de pessoas afetadas por essa enchente deve chegar a 1.200.

A viúva Maria das Graças Félix, de 56 anos, deve entrar nesta listagem. A água começou a invadir a casa dela na madrugada. Ela teve que suspender os móveis eletrodomésticos, mas não quis sair de casa.

- Não tenho para onde ir. Aqui os vizinhos me ajudaram a subir com as coisas e nós nos ajudamos. Quando vim morar em Pureza não podia imaginar que a água ia chegar até aqui. O rio é muito longe [duas quadras de distância].

Sapucaia

Até 10h30, 11 mortos foram encontrados em decorrência das chuvas e deslizamentos de terra em Jamapará, distrito de Sapucaia, na região do médio Paraíba do Estado do Rio de Janeiro. Somente no início da manhã desta terça, três corpos já foram localizados onde oito casas foram soterradas na altura do km 108 da BR-393. O número de desaparecidos, que era de aproximadamente 15, já pode ser de 12 pessoas. As buscas no local, que foram interrompidas durante a madrugada, foram intensificadas nesta manhã.

Veja imagens do deslizamento de terra em Sapucaia

Helicóptero da Polícia Civil leva bombeiros para Sapucaia

O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, disse que é muito improvável encontrar algum sobrevivente.

A igreja de Santana, localizada a 100 m de onde ocorreu a tragédia, recebe os corpos das vítimas do deslizamento para velório.

Recursos

A Prefeitura de Sapucaia espera há um ano por verba de R$ 9 milhões para recuperação de encostas e outras obras de prevenção de desastres.

De acordo com o prefeito Anderson Zanon (PSD), a administração municipal dispõe de poucos recursos - Sapucaia tem cerca de 18 mil habitantes - e todos os anos sofre com problemas causados pelas chuvas. Só no ano passado, com os temporais do início de 2011, o município teve 26 pontes destruídas.

- Conseguimos reconstruir todas [as pontes]. Muitas eram pequenas, na zona rural. Fiz o pedido [da verba] no ano passado, mas, por causa da burocracia, até agora não recebemos.

A última vez que Sapucaia recebeu verbas para reconstrução de estragos causados pelas chuvas foi em dezembro de 2010. O bairro Barão foi praticamente destruído naquele ano por um temporal e Zanon conseguiu dinheiro federal para reconstruir o lugar.

Assista ao vídeo:


 
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